Policiais invadiram favela da região e atiraram a esmo

Escutas indicam entrada em casas de traficantes, com roubo de R$ 20 mil; suspeito foi perseguido e quase morto a tiros

O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2013 | 02h11

Usando carro descaracterizados e em alguns casos viaturas do Denarc, policiais invadiram a Favela do São Fernando, em Campinas, em pelo menos duas ocasiões, de acordo com as escutas feitas pelo Ministério Público. Os policiais atiravam a esmo, invadiam casas de traficantes para roubar e juravam de morte líderes do tráfico local.

As vítimas dessas invasões seriam comparsas do controlador do tráfico na região, Andinho, conhecidos como Codorna e Lucas Escotão, que em uma das ocasiões foi perseguido de carro e quase morto a tiros.

Os promotores afirmam que as ações foram clandestinas, principalmente por ocorrerem à noite. A atuação desses policiais também é considerada ilegal por falta de atribuição. Desde junho de 2012, o Denarc não pode autorizar essa ações fora da capital. Promotores viram ainda indícios de envolvimento do delegado Fábio Almeida de Alcântara por ter dado ordens de serviço para Campinas. Já a defesa do delegado diz que as operações foram legais e levaram à prisão de bandidos.

Foragidos. Dos 13 policiais que tiveram a prisão decretada, 4 estão foragidos. Entre eles, os três principais investigados, que mais aparecem ou são citados nas escutas e nos depoimentos das testemunhas: Silvio Cesar de Carvalho Videira, o Pequeno, Leonel Rodrigues dos Santos, Daniel Dreyer Bazzan e Danilo da Silva Nascimento. Os três primeiros, mais os policiais Jandré Gomes Lopes de Souza e Rodrigo de Longhi de Mello, foram transferidos do Denarc no decorrer das investigações.

Souza, Videira e Bazzan já haviam sido denunciados pelo Ministério Público pela execução de Adriano Santos Silva em Guarulhos, em 2008. O motivo do crime ainda não foi esclarecido.

O diretor do Denarc, Marco Antônio de Paula Santos, afirmou que os policiais envolvidos nas "acusações mais sérias" foram desligados há dois meses do órgão. "Fui eu que decidi (removê-los). Quando começaram (relatos de) que eles teriam feito coisa errada em Campinas."

Ontem, a Justiça prorrogou por por cinco dias a prisão de outros dois policiais, detidos em Campinas. / R.B. e L.B.F.

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