Policiais fazem manifestação na Paulista; trânsito é de 2 km

Policiais civis retomaram a greve após trégua de 48 horas após negociações frustradas com o governo

Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo,

10 de outubro de 2008 | 14h08

Em greve, os policiais civis de São Paulo fazem uma manifestação na Avenida Paulista na tarde desta sexta-feira, 10. Os grevistas marcaram o ato para às 13 horas e, até às 14h, continuavam no vão livre do Masp. A situação era tranqüila no local, mas o trânsito na Avenida Paulista era de quase 2 km no sentido Consolação, da Rua Carlos Sampaio até a Rua Augusta.  Veja também: Não acompanho 'detalhe' da negociação com policiais, diz Serra  Todas as notícias sobre a greve da Polícia Civil    Na madrugada desta sexta, as sete associações da Polícia Civil romperam a negociação com o governo e decidiram retomar a greve que havia sido suspensa na quarta-feira. A reviravolta ocorreu depois de os diretores das entidades de classe da Polícia Civil terem sido informados pela Secretaria de Gestão Pública que o governo não tinha nova proposta de reajuste do salário-base, mantendo o índice já oferecido de 6,2% - os policiais queriam 15% e já haviam deixado para mais tarde a discussão sobre os reajustes de 12% em 2009 e 2010.  "Infelizmente, estou decepcionado com o governo, que não nos respeita. Vou lavar as mãos. A greve volta sem dúvida nenhuma", afirmou o delegado Sérgio Marcos Roque, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado. Por meio de nota oficial, a Secretaria de Gestão Pública lamentou o fim das negociações. "O governo avançou numa proposta, mas a intransigência das lideranças impediu que um conjunto de medidas fosse encaminhado para a Assembléia Legislativa e beneficiasse toda a categoria. Uma vez mais, as lideranças apresentaram propostas que extrapolam a capacidade orçamentária do Estado, prejudicando toda a população e a própria categoria." A decisão de retomar a greve foi tomada pelos líderes mais moderados da Polícia Civil, entre eles o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Sérgio Marcos Roque. Ele havia sido acusado de traidor pelos sindicatos da polícia quando decidiu suspender por 48 horas a greve que já durava 20 dias para reabrir as negociações com o governo do Estado. Negociação A definição de um índice de reajuste era a última etapa da negociação. Na primeira reunião entre o secretário de Gestão Pública, Sidney Beraldo, e o delegado Roque havia sido definido que o governo enviaria à Assembléia Legislativa dois projetos de lei. O primeiro instituiria a aposentadoria especial para os policiais, por causa do risco da profissão. O segundo reestruturaria as carreiras policiais, por meio da extinção da 5ª e da 4ª classes - esta última seria transformada em estágio probatório. Isso resultaria na promoção de 1.295 delegados para as 3ª, 2ª e 1ª classes. Da negociação com o governo participaram as sete associações ligadas aos policiais civis - delegados, escrivães, investigadores, carcereiros, papiloscopistas, agentes policiais e funcionários da Polícia Civil. Os sindicatos ficaram de fora, pois discordaram da decisão das associações de suspender a greve para reiniciar as negociações com o governo. Seus dirigentes pregaram a manutenção da greve, mas se viram isolados pelas associações, que são mais antigas, fortes e representativas. Ainda assim, os sindicalistas marcaram um protesto no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, nesta sexta. Com a reviravolta de quinta, as associações decidiram participar do protesto e conclamar seus associados a retomar com mais força a paralisação. "A classe vai ficar revoltada. Se fosse para manter o índice já anunciado, o governo poderia ter dito isso às associações há dois dias. Em vez disso, o governo nos fez esperar até as 22h30 de hoje (quinta) para dizer que a proposta que ele tinha era a mesma da semana passada. É muita falta de respeito. Estou abismado com a insensibilidade do governo", afirmou Roque. Liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determina que 80% da categoria permaneça trabalhando durante a paralisação. Nenhum serviço pode ser interrompido. Durante os 20 primeiros dias da greve, os policiais só registraram boletins de ocorrência de casos considerados graves. Muitos deixaram de fazer escolta de presos. A crise levou o diretor do Departamento de Inteligência da Polícia Civil, Domingos de Paulo Neto, a se afastar do cargo.

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