Policiais e bombeiros decretam greve no Rio, após movimento enfraquecer na BA

18 horas após PMs desocuparem Assembleia Legislativa em Salvador e 2 líderes serem presos, agentes fluminenses decidiram parar

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h00

No mesmo dia em que grevistas desocuparam a Assembleia Legislativa da Bahia, bombeiros e policiais militares e civis do Rio decretaram greve. A decisão fluminense foi anunciada à noite, 18 horas após a prisão de dois líderes grevistas baianos, ao fim de uma manifestação que reuniu 2 mil pessoas. O comandante dos bombeiros, Sérgio Simões, disse esperar que a adesão seja mínima. Caso contrário, já acertou a mobilização de até 14 mil homens do Exército para o carnaval.

"É greve geral e a culpa é do Cabral, estamos parados oficialmente", anunciou o cabo do 22.º Batalhão, Wellington Machado. "Agora não é hora de aceitar intimidação e ameaça. Se prender um de nós, vai ter que prender todo mundo. Aqui não tem covarde." As três corporações somam 70 mil homens.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Fernando Bandeira, afirmou que "no máximo" 30% da categoria será mantida nas delegacias para atender ocorrências em que houver violência ou grave ameaça. Bombeiros também prometem manter 30% do efetivo trabalhando.

No início da assembleia, as categorias deram um ultimato ao Estado. Decidiriam pela greve se, até a meia-noite de ontem, o governo não cumprisse cinco exigências: piso salarial de R$ 3.500, vale-transporte de R$ 350, tíquete-refeição de R$ 350, jornada de 40 horas semanais com pagamento de horas extras e libertação do cabo Benevenuto Daciolo, líder do movimento preso anteontem à noite, acusado de incitamento e aliciamento a motim. Em escutas divulgadas pelo Jornal Nacional anteontem, ele é flagrado conversando sobre a greve no Rio com a deputada estadual Janira Rocha (PSOL).

De manhã, gravações apresentadas pela TV Globo também causaram saída de 300 PMs baianos que estavam amotinados desde o dia 31 na Assembleia, em Salvador, enfraquecimento da paralisação na Bahia e prisão de dois líderes do movimento - o principal deles, Marco Prisco, presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares (Aspra), e Antônio Paulo Angeline. Em novas escutas, divulgadas ontem, Prisco aparece envolvido no planejamento da invasão de um batalhão e até na queima de um ônibus escolar. Segundo o governo baiano, 90% dos policiais voltaram ao trabalho - os grevistas negam, mas já falam em acordo até o carnaval.

Em Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff disse ter ficado "estarrecida" ao ouvir gravações de líderes planejando vandalismo. "Há outros interesses envolvendo a paralisação na Bahia", afirmou, ressaltando ser contrária a qualquer tipo de anistia.

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