Policiais do Deic são presos por extorsão em Campinas

Agentes exigiam dinheiro de postos envolvidos em adulteração de bombas de combustível

Ronaldo Faria, especial para O Estado , O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2016 | 15h16

CAMPINAS - Três policiais civis do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) – José Crespo, Luiz Polydoro e Allan Hopka –, um advogado de Paulínia (SP) e um empresário de Cosmópolis (SP) foram presos nesta quinta-feira numa ação deflagrada a partir de investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em Campinas. Policiais da Corregedoria da Polícia Civil fizeram as detenções na Capital, na sede do Deic, e integrantes da 2ª Corregedoria de Polícia Auxiliar de Campinas nos outros dois municípios.

Os presos são acusados de fazer parte de um esquema de extorsão a partir da Operação Petroleiros, que aconteceu em junho deste ano e prendeu integrantes de uma quadrilha acusada de atuar no roubo e no comércio de combustíveis adulterados em Piracicaba, Campinas, Indaiatuba, Valinhos, Hortolândia, Mogi Guaçu e Cosmópolis, entre outras cidades paulistas. Na verdade, após a operação, os policiais, com a ajuda do advogado, Marcelo Henrique de Carvalho Silvestre, exigiam dinheiro de donos de postos envolvidos no esquema para que eles não fossem presos ou denunciados à Justiça. A detenção em Cosmópolis foi de um empresário que pagou parte da propina.

Os investigadores do Deic queriam R$ 6 milhões dos donos de postos de combustíveis e chegaram a receber R$ 2 milhões e mais um veículo. Entretanto, a pressão por parte deles era tão grande – com ameaças veladas de prisão e sequestro de familiares no caso do não-pagamento – que um empresário resolveu procurar o Gaeco em Campinas e denunciar a extorsão. O advogado de Paulínia era o responsável em fazer a negociação direta entre os envolvidos. Era ele que negociava as quantias e repassava os valores aos investigadores. Na Operação Petroleiros, onde os três policiais do Deic estiveram, descobriu-se que 600 mil litros de etanol, gasolina e óleo diesel por mês eram comercializados após adulteração.

O combustível era roubado depois que caminhões saíam de transportadoras em Paulínia (onde há uma refinaria da Petrobrás). O roubo era feito da Rodovia Professor Zeferino Vaz, após os criminosos renderem os motoristas. A quadrilha chegava a tal grau de profissionalismo que um químico era o responsável para garantir ações de reagentes e melhorar a qualidade da gasolina adulterada, para impedir que o consumidor final não percebesse que ela era “batizada”.

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