Policiais civis do País param por 2 horas em apoio à greve em SP

Um dos líderes da maior greve da história da polícia afirma que paralisação pode durar até o fim do governo

Bruno Paes Manso, de O Estado de S. Paulo,

29 de outubro de 2008 | 09h12

Policiais civis e entidades ligadas à Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) vão parar nesta quarta-feira, 29, por duas horas - entre 14 e 16 horas - em 14 Estados. "Além de apoiar o movimento em São Paulo, a intenção é chamar a atenção para a necessidade de votação do projeto parado no Congresso que insere os delegados de polícia na carreira jurídica", afirma Carlos Benito Jorge, presidente da Adepol.   Veja também: Entrevista exclusiva com José Serra  Galeria de fotos do conflito no Morumbi Policiais civis e militares entram em confronto em SP; assista   Todas as notícias sobre a greve         Outra paralisação nacional, dessa vez das entidades relacionadas às federações interestaduais de policiais civis, foi marcada para o dia 17. "Os dias são diferentes para evitar que a greve perca o fôlego", justifica Luciano Marinho, da Federação Interestadual de Policiais Civis do Norte e Centro-Oeste. A greve começou no dia 16 de setembro.   Um dos principais líderes da maior greve da história da polícia de São Paulo alerta: a paralisação só vai acabar quando uma ampla reforma da Polícia Civil for colocada em pauta pelo Estado. "O movimento pode durar até o fim do governo, por mais 720 dias. Mesmo não sendo o que queremos", afirma o diretor da Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo, o delegado André Dahmer.   Usando termos caros aos governos tucanos, Dahmer fala que a greve da categoria está sendo "proativa", na luta por um "choque de gestão". Ele defende que eventuais mudanças reivindicadas pelo movimento permitiriam a diminuição da ingerência política na definição dos quadros e a ascensão na carreira pautada em critérios técnicos, mais parecido com o que ocorre hoje com a Polícia Militar. "Uma cidade como Adamantina, com 32 mil habitantes, tem três delegacias, uma seccional, cadeia pública e departamento de trânsito. Miracatu, com a mesma população, tem só um distrito. Cidade Tiradentes, em São Paulo, com 500 mil habitantes, também."   Também nega que atue por interesses partidários contrários. Com 17 anos de polícia, no ano 2000, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Dahmer era diretor da Secretaria Nacional de Segurança Pública e atuou como coordenador e articulador das ações de segurança nos diferentes Estados. Em 2002, participou da elaboração do programa de segurança pública do então candidato a presidente pelo PSDB, José Serra. Nessa época, diz ter defendido grande parte das demandas existentes por parte das 18 entidades que integram a atual greve.   Ele ainda compara as mudanças que poderiam ser feitas, ao levar em conta o que ocorre com a Polícia Militar. Para criar novos batalhões e companhias, a PM toma por base uma fórmula que relaciona a população com os índices criminais. "São critérios objetivos que não existem na Polícia Civil, o que acaba desestimulando aqueles que trabalham direito", afirma. O mesmo problema, segundo ele, ocorre na indicação dos chefes de delegacias. "Na Polícia Militar, o alto comando tem autonomia. Na Civil, é comum chefes de polícia serem indicados por políticos."   Para Dahmer, se a questão salarial não pode ser deixada de lado, mais importante para o movimento são temas relacionados à instalação de uma gestão moderna. "Claro que não queremos que o governo faça todas essas mudanças, mas sinalize que tenha a intenção real de iniciá-las. É uma oportunidade única, uma vez que teria o apoio de boa parte dos policiais do Estado", diz.

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