Policiais civis de São Paulo voltam a fazer paralisação

Delegados, que deixaram de atender o público entre 10 e 16 horas, reivindicam aumento de salário e investimento na carreira

Bruno Paes Manso, O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2013 | 16h20

SÃO PAULO - Os delegados da Polícia Civil do Estado de São Paulo realizaram nesta terça-feira, 10, entre 10 e 16 horas, mais uma Operação Blecaute, que consiste em manter a delegacia aberta sem atender aqueles que vão procurar os serviços no local. É o sexto protesto do tipo desde 29 de julho.

Segundo a presidente da Associação dos Delegados de São Paulo, Marilda Pansonato, durante a operação, quando o público vai à delegacia, eles explicam sobre "as péssimas condições" da categoria em vez de prestar o atendimento. Ela afirmou que o movimento desta terça foi o mais forte entre os demais e que quase todas as delegacias do Estado aderiram.

Dessa vez, aderiram ao blecaute até mesmo as Circunscrições Regionais de Trânsito, que apesar de hoje estarem vinculadas ao governo do Estado e à Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional, são tocadas por delegados. "Claro que teve delegado que prefere não aderir. Mas houve sempre a adesão de pelo menos um funcionário em cada um dos distritos do Estado", disse Marilda.

Os delegados reivindicam investimento na carreira e aumento de salário. Segundo a associação, os policiais civis paulistas ocupam a última posição no ranking salarial dos policiais brasileiros. No quadro de funcionários da Polícia Civil, das 35 mil vagas disponíveis há somente 28 mil preenchidas. "O resultado é que não conseguimos investigar como se deveria. A Polícia Civil acaba investigando somente os crimes que causam repercussão. Nos demais crimes, praticamente não há investigação", afirmou Marilda.

O Sindicato dos Investigadores também pretende pressionar o governo nos próximos dias em defesa da carreira. Segundo o presidente do sindicato, João Rebouças, a categoria quer que seja cumprida a Lei 1.067, já aprovada na Assembleia Legislativa, que prevê a efetivação do nível superior em carreiras de escrivão e investigador . "O governo não manda sequer um interlocutor para dialogar e se essa postura permanecer podemos convocar greve", disse Rebouças.

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