Policiais civis continuam em greve por aumento salarial em SP

Na terça, número de atendimentos caiu a menos da metade, em comparação com semana passada

17 de setembro de 2008 | 09h15

A paralisação dos policiais civis continua nesta quarta-feira, 17, em São Paulo. Nesta manhã, ainda não há um balanço da adesão, segundo informações da Associação dos Delegados de São Paulo (Adesp). No entanto, a expectativa é de que a greve tenha o mesmo esquema de terça-feira, quando cerca de 80% das unidades aderiram, mas a determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de manter 80% do pessoa nas delegacias foi cumprida. Esta é a segunda vez que a Polícia Civil de São Paulo pára neste mês. Na terça, o registro de boletim de ocorrência foi o serviço mais afetado. Entre 8 e 13 horas, 230 BOs foram registrados nas delegacias da capital. Na terça-feira da semana passada, no mesmo período, houve 497 registros. De acordo com o Sindicato dos Investigadores de Polícia, 65% das delegacias do interior tiveram atendimento comprometido. A paralisação é por tempo indeterminado e só deve acabar quando o governo do Estado oferecer reajuste salarial. A prova da grande adesão, segundo a associação, é que 93% dos BOs registrados foram de crimes violentos ou sexuais, conforme determina cartilha distribuída anteriormente. O Estado conta com 35 mil policiais civis. A Secretaria da Segurança Pública reconheceu a adesão no interior, mas considerou que o movimento foi fraco na capital - mas não divulgou uma estimativa de adesão. Em nota, o governo afirmou que a cartilha distribuída mandava os policiais desrespeitarem a determinação do TRT, pois "restringe os serviços a serem prestados à população enquanto durar a greve". "Não estamos descumprindo a decisão. Só os BOs de casos de menor relevância deixaram de ser registrados", rebateu o diretor da Adesp, André Dahmer. Na terça, a reportagem do Estado e do Jornal da Tarde passou em seis DPs da capital. Desses, três aderiram. A situação era pior no 19º (Vila Maria) e no 53º (Parque do Carmo): só casos de urgência, como flagrantes, homicídios e captura de procurados, eram atendidos. Quem precisava registrar um BO, como de furto de carro, era orientado a fazê-lo pela internet.  Reivindicações Os policiais reivindicam aumento de 15% neste ano, 12% em 2009 e 12% em 2010. O governo oferece 27,9% para o piso salarial dos delegados. Segundo o governo, as reivindicações da categoria são irreais e representariam um acréscimo de R$ 3 bilhões à folha de pagamento - que é de R$ 7 bilhões. Agentes alegam que desde 1995 a maioria dos reajustes foi concedida como gratificações, não incorporadas ao salário. Ao se aposentarem, policiais perdem até 40% dos vencimentos. O julgamento do dissídio foi suspenso após o governo recorrer ao STF para discutir se a Justiça do Trabalho era competente para analisar o caso. O governo pede que a paralisação seja analisada pela Justiça comum. Interior A Polícia Civil em Campinas aderiu à greve desde as primeiras horas de terça. Nos DPs que operam 24 horas, a orientação é que as viaturas fiquem nos pátios e os computadores sejam desligados. São registrados só casos graves. A Associação de Familiares e Amigos de Policiais do Estado de São Paulo informou que, se não houver decisão favorável, a intenção é parar os quartéis e batalhões da PM após as eleições.  Na mesma região, estão em greve policiais de São José dos Campos, Taubaté, Jacareí e Caçapava. Em Jacareí, funcionários usaram nariz de palhaço e saíram às ruas em apitaço. O sindicato diz que a categoria está sem reajuste há 12 anos e as perdas chegam a 60%.  Em Ribeirão Preto também houve grande adesão. "Todos estão no local de trabalho, mas atendendo só às ocorrências de natureza gravíssima", disse a presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Região de Ribeirão Preto, Maria Alzira da Silva Corrêa. O mesmo ocorre na Baixada Santista. Colaboraram Brás Henrique, Marcela Spinosa, Marcelo Godoy, Simone Menocchi, Rejane Lima e Rose Mary de Souza, especial para o Estado.

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