'Policiais acusados de extorsão continuarão afastados', diz Serra

Corregedoria da Polícia Civil nega que Pórrio e oito investigadores tenham sido avisados sobre suas prisões

Tatiana Fávaro, do Estadão,

25 de outubro de 2007 | 16h16

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), reafirmou nesta quinta-feira, 25, que os policiais civis acusados de extorsão e tortura vão continuar afastados de seus cargos. "Eles já estavam afastados de suas funções e agora foram presos, porque se mostrou que realmente os indícios de responsabilidade pública são grandes. Falei com o secretário (de Segurança Pública, Ronalgo Marzagão) e me certifiquei de que os nove estão presos", afirmou Serra, que evitou outros comentários sobre o caso  Grampo legal foi usado para achaque Caso lembra denúncias de cúmplices de Abadía Denúncia de tortura com saco plástico Para advogado de delegado, não há ilegalidade  MPE investiga vazamento de informação sobre prisão  O delegado Pedro Luiz Pórrio, ex-chefe da Delegacia Seccional de Osasco, e oito investigadores estão presos sob a sob a acusação de extorquir R$ 35 mil de um traficante de Campinas, a 90 quilômetros da capital paulista. Pórrio havia sido transferido para a Delegacia do Idoso e, quando foi preso, na terça-feira, 23, estava de férias.  Em visita a Jundiaí, Serra disse que são grandes os indícios de responsabilidade pública dos nove policiais presos. Denúncias indicam que a equipe de investigadores chefiada por Pórrio usou a "técnica" do saco plástico na cabeça para tentar arrancar informações de traficantes em Campinas, segundo depoimento prestado ao Ministério Público Estadual (MPE). Ao contrário do filme Tropa de Elite, que retrata a forma como policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) obtém confissões, o grupo de Pórrio tinha um único objetivo, acreditam promotores: conseguir bens e dinheiro. "Aviso prévio" Na quarta-feira, 24, o corregedor em exercício da Polícia Civil, José Maria Coutinho Florenzano, negou que Pórrio e os oito investigadores foram avisados previamente de que estavam com prisão preventiva decretada. Segundo ele, a corregedoria apenas comunicou os chefes dos departamentos onde os policiais são lotados para providenciar que eles se apresentassem no presídio da corporação. Florenzano disse que os mandados de prisão chegaram às 18 horas de terça-feira. "Nesse horário fica difícil localizar os policiais. Por isso, avisamos os chefes dos departamentos. Isso é normal. Muitas vezes, os policiais estão nas ruas, trabalhando. Não foi um aviso prévio." Ele afirmou que a localização de Pórrio e do chefe dos investigadores Antonio Cabalero Cursi, foi mais difícil porque eles estavam de férias.  .

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