Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Polícia vai instalar 30 câmeras 'dedo-duro' em São Paulo

Câmera manda alerta à central da PM em caso, por exemplo, de pessoa parada na rua e carro na contramão

Camila Haddad, Jornal da Tarde,

24 de setembro de 2009 | 10h02

A Polícia Militar vai instalar na cidade um sistema de 30 câmeras inteligentes, que detectam pessoas paradas em vias por um tempo considerado excessivo, além de abandono de objetos, carros na contramão e corre-corre, entre outros, e disparam avisos sonoros e alertas para a central de monitoramento da corporação, na Luz. A instalação, que já começou, deve ser concluída em novembro, quando os equipamentos entrarão em funcionamento.

 

As câmeras serão instaladas em portas de consulados, estádios de futebol e avenidas de grande movimento. Os aparelhos podem ser configurados de várias maneiras. A permanência de um pedestre parado em frente a um estabelecimento, por exemplo, pode levantar suspeitas após 15 minutos. Segundo o capitão Marcos Edaes Nóbrega, caberá ao PM que monitora as imagens na central da Luz mandar ou não uma viatura para averiguar as ações suspeitas avisadas pelas câmeras.

 

"Esses equipamentos são fixos, diferente das outras câmeras da PM na cidade, que giram em 360 graus", diz Nóbrega. "Elas vão interpretar os movimentos estranhos", afirma. Segundo o oficial, o novo mecanismo é inédito na capital e ajudará no trabalho dos operadores da central. Hoje, cada um deles trabalha com 10 pontos de observação. "Um PM avalia várias imagens ao mesmo tempo e, com o sistema de alerta, ficará mais fácil identificar ocorrências."

 

Cada uma das câmeras dedo-duro custa, em média, R$ 7 mil. O investimento total, incluindo a central de videomonitoramento, é de R$ 13 milhões. Segundo a Polícia Militar, os 30 equipamentos fazem parte de um pacote de outras 130 câmeras a serem instaladas na capital, mas que não terão o sistema inteligente.

 

Atualmente, a cidade é vigiada pelos policiais por meio de100 câmeras, que possuem lentes especiais, que possibilitam a aproximação com nitidez de cerca de 600 metros e podem ultrapassar um alcance de três ou quatro quilômetros, neste caso sem tanta nitidez. As imagens são compartilhadas com a Guarda Civil Metropolitana.

 

Identificação facial

 

De acordo com o capitão Nóbrega, ainda não será possível fazer a identificação facial de suspeitos na tela. Esta é uma possibilidade futura, assim como o sistema de infravermelho, que poderá identificar objetos sob a roupa das pessoas. O oficial conta que a corporação ainda não adotará estas possibilidades, pois há necessidade de estudos.

 

O especialista em segurança Felipe Gonçalves, da FGS Consultoria em Segurança, diz que a iniciativa é válida. "Vai otimizar a operação da polícia, principalmente na resposta a ocorrências, uma vez que as câmeras irão funcionar como olhos da PM na cidade", afirma. Para Gonçalves, um crime poderá ser contido rapidamente. O especialista diz que São Paulo tem em média uma câmera por 16 habitantes.

 

De acordo com a PM, em regiões da cidade onde os equipamentos operam há um ano e meio, os resultados são positivos. Por exemplo: no centro, nos últimos 12 meses, a câmera instalada na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua Major Sertório reduziu o número de furtos a pedestres em 26%, o total de roubos a pedestres em 7% e o número de roubo de veículos em 67%.

 

Além do sistema da PM, a Prefeitura de São Paulo mantém hoje cerca de 3,5 mil câmeras em funcionamento, entre equipamentos da GCM, da CET, da SPTrans e os instalados em escolas.

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