Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Polícia vai indiciar estudantes agressores após confusão na USP

Quem destruiu viaturas pode pegar até 3 anos de prisão; com cabeça coberta, alunos erguem barricadas

Adriana Ferraz, Carlos Lordelo e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2011 | 23h21

SÃO PAULO - Alunos e sindicalistas que depredaram seis viaturas das Polícia Civil e Militar anteontem na Universidade de São Paulo (USP) serão indiciados por dano ao patrimônio público e podem pegar até 3 anos de prisão. A decisão foi tomada ontem pelo delegado Dejair Rodrigues, titular da 3.ª Delegacia Seccional, responsável pelas delegacias da zona oeste de São Paulo.

"Vamos identificar todo mundo. É inadmissível o que ocorreu", afirmou. Um inquérito será aberto na segunda-feira pelo 93.º DP (Jaguaré). "Isso foi um ato cometido por uma minoria. A grande maioria dos estudantes não concorda com o que houve." Rodrigues disse que já recolheu vídeos, fotos e vai convocar testemunhas.

Enquanto a polícia decidia ir atrás dos responsáveis pelas cenas de guerrilha no câmpus do Butantã da USP, os estudantes rebelados desfilavam com seus rostos cobertos por camisetas e erguiam três barricadas em torno do prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Eles também queimaram uma bandeira do Estado de São Paulo e outra do Brasil e estenderam cartazes e faixas nas paredes do edifício ocupado. Diziam que a "repressão" serviria para "impor privatização" da universidade e alertavam que "TV, álcool, açúcar, tabaco, esporte e sexo" também são drogas.

As faixas ainda faziam críticas ao reitor João Grandino Rodas, à Polícia Militar e à imprensa. Durante a tarde, os alunos entravam e saíam do prédio sem serem importunados pelos seguranças particulares da USP. Não havia sinal da polícia nas proximidades. Perto dali, era ainda possível ver sinais da batalha de anteontem: pedras, pedaços de pau e placas de madeira.

Muitos dos estudantes chegavam ao prédio de banho tomado e com mochilas nas costas, preparando-se para passar o fim de semana no prédio. Em um manifesto divulgado na manhã de ontem, os acampados afirmaram que ficarão ali até que "se retirem todos os processos criminais e administrativos contra estudantes, professores e funcionários" e se revogue o convênio com a PM, que permitiu a instalação de postos policiais na USP.

Sem confronto. O comandante-geral da PM, Álvaro Camilo, afirmou que orientou seus homens a evitar o confronto com os alunos na quinta-feira e pediu que eles se limitassem a cumprir a detenção dos três alunos apanhados com maconha. Camilo espera que o fim de semana acalme os ânimos e se disse aberto ao diálogo.

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