Felipe Rau / Estadão
Felipe Rau / Estadão

Polícia vai encaminhar peças do ônibus acidentado a perícia

Barra de direção e sistema de freios devem ser analisados por especialistas; sobreviventes serão ouvidos nesta semana

Fábio Lemos Lopes, ESPECIAL PARA O ESTADO

13 Junho 2016 | 20h48

BERTIOGA - A polícia encaminhará ainda esta semana para o Instituto de Criminalística da Capital a barra de direção e o sistema de freios do ônibus que tombou, bateu em rochedo e caiu em vala na Rodovia Mogi-Bertioga (SP-55) no fim da noite da última quarta-feira, 8. No acidente, 18 pessoas morreram e outras 16 ficaram feridas. O fretado transportava estudantes de Mogi das Cruzes para São Sebastião. 

Nesta terça-feira, uma nova etapa da perícia técnica será realizada no veículo que está estacionado em um pátio da Polícia Rodoviária. O horário da vistoria, porém, não foi divulgado. Ainda nesta semana, o delegado titular de Bertioga, Maurício Batista Júnior, pretende começar a ouvir os sobreviventes do acidente. Para isso, ele irá até a cidade do litoral norte. “Ainda não existe uma data definida”, disse.

Segundo ele, os testemunhos vão contribuir para elucidar as causas do acidente. Na última sexta-feira, o delegado ouviu a estudante Aline Jesus dos Santos e o motorista do carro que foi atingido pelo ônibus na estrada, Cezar Donizetti Vieira. Na ocasião, ela confirmou que o abaixo-assinado sem assinaturas encontrado em uma mochila era para pedir a saída do motorista Antônio Carlos da Silva da linha. Já Vieira contou como o ônibus raspou em seu carro e depois tombou na pista.

Os resultados da perícia e do exame toxicológico do motorista também serão fundamentais para finalizar o caso. A expectativa é que o laudo seja concluído em trinta dias.

Recordações. Nesta segunda-feira, 23, familiares das vítimas e sobreviventes foram até a delegacia-sede de Bertioga para recuperar os objetos que ficaram espalhados na pista. Mochilas, roupas e até um capacete estavam guardados em sacolas plásticas.

Na esperança de encontrar uma mensagem ou até mesmo mais uma foto como recordação, o ambulante Marcos Oliveira dos Santos esteve no DP para pegar o celular da filha Gabriela Silva Oliveira do Santos, de 22 anos, uma das vítimas do acidente. “Espero encontrar algo, são lembranças que não quero deixar”.

Ele recordou a última vez que falou com a estudante. “Foi no dia do acidente, logo cedo. Eu dei um abraço nela e fui trabalhar. Depois não encontrei mais ela”.  Santos explica que a filha costumava ajuda-lo nos fins de semana na atividade de ambulante na praia. “Quem estará comigo agora? Tenho que ter força”.

O namorado de Gabriela, Vinícius de Araújo, de 23 anos, disse que o acidente foi uma fatalidade. “Era um dia normal. Fui até a casa dela ajudar em um trabalho da faculdade. Se eu tivesse segurado a Gabriela por dez minutos, ela não estaria longe agora."

Já o estudante de engenharia civil da Universidade de Mogi das Cruzes, Wanderson da Silva Damásio, de 24 anos, acredita que nasceu novamente. “Deus me protegeu e me deu força para conseguir sair sozinho do ônibus. Peguei um celular emprestado e falei com a minha mulher para ela não ficar preocupada”.

Segundo ele, alguns estudantes reclamavam da conduta da motorista, que era considerado rigoroso. “Mas não por excesso de velocidade. Mas porque ele não gostava de atrasos”. Damásio recorda que estava acordado no momento do acidente. “Eu sempre fico sentado na terceira fileira. Não escutei o motorista gritar nada. Ele deve ter ficado assustado como todos nós."

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