Polícia vai criar time específico para lidar com avenidas cruciais

Turma de plantão ficaria concentrada em liberar corredores viários, mas começo da operação depende de contratações

O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h03

O superintendente da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, Celso Perioli, afirma que está sendo estruturada uma equipe de peritos exclusiva para atender ocorrências de trânsito nas Marginais do Tietê e do Pinheiros e nos principais corredores viários da capital paulista.

A ideia é desafogar as equipes encarregadas desse serviço e manter uma turma de plantão para liberar o trânsito rapidamente nos pontos mais críticos. "Até bem pouco tempo atrás, não tínhamos essa preocupação. Veio por causa do trânsito caótico da cidade", diz Perioli.

A entrada em operação dessa equipe, entretanto, depende da realização de concursos públicos prometidos pelo governo do Estado. E ainda não há prazo para que esses técnicos cheguem às ruas.

'Síndrome de C.S.I.'. Mas há outro problema que intensifica a falta de peritos, e revela um atrito entre a Polícia Técnico-Científica e delegados: excesso de perícias tidas como "desnecessárias". "Há requisições de perícias até em casos de briga de vizinhos. Se, na briga, alguém quebra um tijolo, o perito tem de fazer um laudo sobre a quebra do tijolo. E o chamado para o acidente do outro lado da cidade pode chegar durante essa perícia", afirma Carlos Coana, do Sinpcresp.

Mesmo o superintendente da Polícia Técnico-Científica faz coro, indiretamente, à reclamação e questiona o excesso de requisições feitas à perícia. "Nunca estivemos tanto sob a lupa da sociedade. Vivemos uma 'síndrome de C.S.I.'", diz Perioli, em referência ao seriado americano que mostra peritos equipados com produtos de última tecnologia - e com muito tempo para cuidar de cada caso.

Bom senso. O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro de Lima, admite que, em determinados casos, há "falta de bom senso" na requisição de perícias. "Vivemos um absurdo de, se tem um incêndio pequeno em um apartamento, o delegado pede perícia. Aí, toda a máquina estatal é direcionada para atender a ocorrência, preservar o local, manter a PM lá, e acaba que o caso trata-se de uma bituca de cigarro esquecida no lixo", diz Carneiro de Lima.

O delegado-geral afirma que já estão em curso na Polícia Civil uma série de orientações para evitar a prática. / B.R.

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