Polícia tomará novo depoimento de pai e madrasta de Isabella

Objetivo é confrontar as versões apresentadas pelos suspeitos com fatos averiguados pelos policiais

da Redação, estadao.com.br

04 de abril de 2008 | 10h07

A Polícia de São Paulo ainda não decidiu se o novo depoimento que deve ser tomado do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni, de 29 anos, e de Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 23 anos, acontecerá no 9º Distrito Policial ou nas delegacias para onde os acusados de matar a menina Isabella de Oliveira Nardoni foram levados depois de presos. O novo depoimento deverá ser tomado nesta sexta-feira, com o intuito de confrontar a versão contada pelo pai e pela madrasta da menina com fatos averiguados pelos policias. VEJA TAMBÉMPai e madrasta de Isabella se apresentam à polícia Tudo o que foi publicado a respeito do Caso Isabella   Entenda os argumentos da polícia sobre a prisão Veja especial multimídia sobre o crime Entenda porque crimes assim chocam a sociedade  Na madrugada de quinta-feira, 3, peritos do Instituto de Criminalística encontraram vestígios de sangue no banco e na cadeirinha de criança do Ford Ka da família, onde estavam o casal e os filhos, antes da morte da criança. Além disso, os técnicos detectaram marcas da mão da criança no batente da janela de onde ela foi atirada. Peritos ainda encontraram roupas que seriam de Alexandre num outro apartamento do sexto andar do prédio. O imóvel está vago e seria da irmã dele. A polícia investiga se Alexandre teria tomado banho nesse apartamento depois da queda da criança. Há informações não confirmadas de que foram encontrados ainda fragmento de osso num dos quartos do apartamento do pai de Isabella. O imóvel tem três quartos, um deles é suíte. A prisão do casal foi alvo de grande confusão por conta de informações desencontradas que eram passadas à imprensa. Alexandre e Anna Carolina se apresentaram às 16h40. Os advogados acertaram a apresentação de seus clientes, por telefone, com o juiz Maurício Fossem. O casal entrou no Fórum de Santana, na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, pelo elevador dos fundos. Ao apresentar seus clientes diretamente à Justiça, os defensores quiseram mostrar que eles não pretendem fugir nem se transformar em obstáculo às investigações. Os advogados afirmam que Alexandre e Anna Carolina têm bons antecedentes e residência fixa. Dessa forma poderiam ficar em liberdade. "A prisão é uma cautela, porque há vários pontos divergentes nos depoimentos", disse o diretor-geral do Departamento de Polícia Judiciária da Capital, Aldo Galiano. O promotor de Justiça Francisco José Taddei Cembranelli confirmou que a prisão temporária do pai e da madrasta de Isabella foram decretadas com base nas perícias e nos depoimentos colhidos. Policiais contaram que no 9º DP o casal ficou calado. Anna não chorou e Alexandre parecia calmo. A preocupação dos suspeitos era com a recepção dos presos nas carceragens. Às 20 horas, o casal foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML). A saída deles foi confusa. "Assassinos!", gritavam os curiosos. Após o exame de corpo de delito, Alexandre foi levado ao 77º DP, no Centro. Ao sair da viatura, disse: "Sou inocente. Sou inocente." Ele ficou sozinho em uma cela. Dormiu no chão e recebeu o jantar. A mulher dele foi levada ao 89º DP (Morumbi). Inocência O casal alega inocência. Alexandre diz que chegou normalmente com os três filhos ao edifício na noite de sábado. Como todos estavam dormindo, ele subiu primeiro com Isabella e deixou-a no quarto. Depois, voltou para apanhar o resto da família. Quando retornou ao apartamento, achou um buraco na tela de proteção da janela. Só então viu que Isabella havia caído. Testemunhas ouvidas pela polícia, no entanto, deram versões diferentes. Uma pessoa afirmou ter visto Alexandre e Anna Carolina, juntos, subindo com a menina. Outras pessoas relataram ter escutado uma briga de casal antes do crime e também gritos de criança. "Pára, pai", teria sido o berro.

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