Edison Temoteo/Futura Press
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Polícia sabe nome e batalhão de 3º suspeito de chacina na Pavilhão 9

Identificado como Mendes, policial estaria em atividade no 14.º BPM/M, que atua em Osasco, na região metropolitana de São Paulo

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

26 Junho 2015 | 00h28

SÃO PAULO - A Polícia Civil já sabe o batalhão e o sobrenome de um terceiro policial militar suspeito de ter participado da chacina na sede da Pavilhão 9, torcida organizada do Corinthians, em abril. Identificado como Mendes, o policial estaria em atividade no 14.º Batalhão (BPM/M), que atua em Osasco, na Grande São Paulo. Outro PM e um ex-PM foram presos em maio e vão responder na Justiça pela morte de oito pessoas no episódio.

Um dos problemas enfrentados pela investigação é que há ao menos dois policiais com esse sobrenome no batalhão. Ambos foram chamados para depor no Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável por conduzir o caso.

Um deles deveria ter comparecido na quarta-feira, 24, ao DHPP, mas não apareceu. O outro deve ser interrogado na próxima semana. Um sobrevivente da chacina, considerado pelos policiais como testemunha-chave para chegar até os dois acusados que já estão presos, não teria condição de identificar o terceiro suspeito, por não ter visto seu rosto.

Crime. A chacina aconteceu na noite de um sábado, dia 18 de abril, véspera de um clássico entre Corinthians e Palmeiras. Doze pessoas estavam na sede da Pavilhão 9 quando três homens encapuzados invadiram o local, portando pistolas calibre 9 mm. Quatro conseguiram fugir. Os demais foram obrigados a ajoelhar. As vítimas eram homens entre 19 e 38 anos e metade já havia sido acusada de tráfico de drogas.

Segundo as investigações, o alvo dos assassinos era Fábio Neves Domingos, de 34 anos, ex-presidente da Pavilhão 9. Os demais morreram por estarem no lugar errado, na hora errada - para a acusação, eles foram executados para não testemunharem contra os assassinos. O principal suspeito de ter arquitetado e executado o crime é o ex-PM Rodney Dias dos Santos, de 41 anos, um dos sócios-fundadores da uniformizada. Ele foi expulso da corporação por receptação de veículo e tráfico de drogas.

Na denúncia oferecida ao 5º Tribunal do Júri da Capital, no início deste mês, o promotor Rogério Zagallo, do Ministério Público, afirma que o acusado era desafeto da vítima. Segundo diz, os dois travavam disputa por venda de drogas na região do Ceagesp e tinham desavenças dentro da torcida.

"Fábio e o irmão tinham uma banca de fruta no Ceagesp, e ele aproveitava para vender droga. O Rodney também. Eles divergiam em relação à forma de atuação", afirma Zagallo. "Eles também tinham desavença administrativas na torcida, de funções, postos e cargos." Ainda segundo o promotor, a denúncia já foi aceita pela Justiça de São Paulo, que deve decidir se levará o caso a júri popular.

O outro preso é Walter Pereira da Silva Junior, soldado do 33.º BPM/M, e apontado por testemunhas como amigo de Santos. Pessoas ouvidas pela Polícia afirmam que eles iam juntos a festas e a principal suspeita é que Junior tenha sido convencido pelo ex-PM a participar do crime.

Junior também é investigado por suspeita de participação em outra chacina, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, onde o batalhão dele atua. Os dois presos negam participação no crime da Pavilhão 9.

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