EVELSON DE FREITAS/ESTADAO
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Polícia recupera quadros avaliados em R$ 8,5 milhões

Três suspeitos foram presos com obras de Alfredo Volpi e Ivan Serpa; policiais se disfarçaram de compradores

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 13h24

Atualizada às 21h20

SÃO PAULO - Cinco quadros do pintor Alfredo Volpi e um de Ivan Serpa foram recuperados após a prisão de três pessoas em São Paulo. As obras, avaliadas em R$ 8,5 milhões, foram roubadas de um colecionador, em 2011, na capital, e estavam na casa de veraneio do comerciante José Tiepo Filho, de 69 anos, em São Sebastião, no litoral norte. 

A investigação que levou na quarta-feira à prisão, além de Tiepo Filho, de Paulo Lopes de Carvalho, de 62 anos, e de Sebastião Lugon Fraga, de 52, começou logo após a casa do colecionador ser invadida por sete assaltantes. Segundo o delegado titular do 15.º Distrito Policial (Itaim-Bibi), Marco Aurélio Batista, a apuração ganhou força nas últimas semanas, com a quebra do sigilo telefônico de Fraga. 

Batista, embora não tenha detalhado como a Polícia Civil rastreou o trio, informou que a função de Fraga era negociar, por R$ 2 milhões, as obras roubadas - os quadros foram adquiridos pelo trio por R$ 30 mil. “Eu me encontrei com esse negociador em um shopping na Avenida Paulista, e ele ligou para uma segunda pessoa para explicar o meu interesse”, afirmou o delegado. 


Foi marcado, então, um segundo encontro. Dessa vez, Fraga foi acompanhado de Carvalho, que levou um dos quadros. Ele tinha mais proximidade com Tiepo Filho. Carvalho mostrou ao delegado a obra Sereia, de Alfredo Volpi. 

Com a autenticidade da obra comprovada, Batista começou a negociar o preço, pedindo para que os seis quadros fossem vendidos por R$ 1,5 milhão. Após essa etapa, foi dado o último passo: as três prisões em flagrante. Com a ajuda de investigadores de campana no terceiro encontro, Batista foi atrás de Fraga, novamente, na Avenida Paulista. O criminoso disse que os quadros estavam com Carvalho. Os policiais fizeram a prisão em flagrante e o negociador confessou o crime.

Batista disse que Fraga concordou em ajudar a polícia e ligou para Carvalho, que aguardava perto da Estação Lapa, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na zona oeste. A polícia foi até o local e o prendeu. O segundo criminoso, que também confessou a participação na negociação dos quadros, indicou onde Tiepo Filho trabalhava: uma loja de ouro, prata e antiguidades, também na região da Lapa. 

Ao ser preso, ele revelou onde estavam os quadros - o esconderijo com parede falsa usado pelo comerciante, em Boiçucanga, tinha um sistema de climatização especial para manter as obras de arte conservadas. O colecionador não reconheceu o trio. “Queremos saber se eles têm ligação com o bando”, disse o delegado. 

Estudo. De pele bronzeada, cabelos compridos e roupa esportiva, Batista contou que tentou se “disfarçar” como admirador das artes. Durante os anos de investigação, ele estudou as obras para que os criminosos vissem que as conhecia. “Coloquei a camisa dentro da calça para demonstrar que não estava armado e os convenci.” 

Alguns dos quadros estavam danificados, e a polícia ainda procura outras três obras de Volpi, roubadas em 2011. A reportagem não localizou os advogados do trio.

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