Polícia reconstitui assassinato de dois irmãos em Ribeirão Pires

Madrasta das crianças já foi indiciada pelo crime; em depoimento, pai confessou ter esganado o caçula

da Redação,

12 de setembro de 2008 | 11h50

A polícia vai faz nesta sexta-feira, 12, a reconstituição do assassinato dos irmãos Igor Giovani e João Victor dos Santos Rodrigues, de 12 e 13 anos, mortos pelo pai e pela madrasta há uma semana, em Ribeirão Pires. A expectativa é descobrir a participação do pai, o segurança João Alexandre Rodrigues, e da madrasta, Eliane Aparecida Rodrigues, no crime. O pai confessou ter esganado o caçula. A madrasta teria matado João Victor a facadas e foi indiciada pelo crime.   A polícia acredita que os irmãos foram mortos por "atrapalhar" a relação do pai biológico com a madrasta. A informação foi confirmada pela madrasta ao delegado Ailton Muniz. Ela confessou participação nos assassinatos e na ocultação dos cadáveres. A polícia agora procura provas materiais contra o pai dos meninos, o vigia João Alexandre Rodrigues, de 40 anos, que nega envolvimento com as mortes.   Em depoimento, até agora, ao contrário da madrasta que o incrimina desde o dia em que ambos foram presos em flagrante, ele preferiu se calar. "Segundo ela, o vigia usou uma camiseta no dia do crime. Recolhemos essa peça no interior da casa deles, com algumas manchas. A roupa será enviada para a perícia", disse o policial.   Segundo Carmo, também foram recolhidas outras provas na casa do casal. No sábado, a polícia pediu a prisão temporária de ambos por 30 dias. No mesmo dia, a Justiça decretou a prisão. Quando o inquérito for concluído deve ser pedida a prisão preventiva.   Mãe   Claudia dos Santos, de 32 anos, mãe dos meninos, fugiu de casa aos 14, quando morava em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Somente no domingo ela reencontrou a própria mãe, depois de 18 anos de separação - agora com quatro, dos seis filhos que teve. O reencontro aconteceu porque a avó dos garotos, Irene dos Santos, viu a tragédia pela TV e reconheceu a filha desaparecida. "Vi uma imagem da Claudia na televisão. Tive certeza de que era ela. Meu mundo desabou", disse Irene. "Ninguém imagina o que é encontrar uma filha depois de tanto tempo e, ao mesmo tempo, descobrir que os netos estão mortos."   Na quarta, Irene, que mora em Franca, no interior, esteve com a filha em um programa de TV. Ao revê-la, Irene perguntou por que ela fugiu de casa. "Não tinha motivos (para a fuga) e, quando nos encontramos, perguntei isso. Ela disse que não lembrava mais o que tinha acontecido." Claudia chorou várias vezes e precisou ser medicada.   Embora não lembre o motivo da fuga da casa da mãe, Claudia afirmou que fugiu do ex-marido por não suportar maus-tratos. Ela disse que fugiu do pai dos meninos, João Alexandre Rodrigues, há cinco anos, e levou as duas filhas mais velhas, quando tinham 9 e 11 anos. "Fugi de casa porque não agüentava mais. Ele batia nas meninas porque não eram filhas dele. Chamava de 'negas' bastardas, capetas e cão."   Em uma das ocasiões, o padrasto teria agarrado a mais velha pelos cabelos e batido seu rosto no chão porque a criança tinha quebrado uma vela. Segundo a mãe, embora detestasse as garotas, ele era muito carinhoso com Igor e João Victor. "Eram tratados como príncipes pelo pai."   Claudia afirmou que só via os filhos a distância, com o ex-marido. "Ele entrava no mercado e comprava as coisas para os garotos." Para ela, os meninos pareciam "muito bem tratados". No entanto, só há dois meses soube que eles haviam sido internados em um abrigo. Também há dois meses Claudia reencontrou os meninos em uma igreja. "Eles não reclamaram de nada. Disseram que estavam bem e obedecendo a titia (a madrasta)." Essa foi a última vez que mãe e filhos se viram.   Claudia disse que o atual companheiro, pai do seu casal de filhos mais novos, de 1 e 3 anos, tinha prometido que ela poderia buscar os meninos em Ribeirão Pires quando a situação financeira estivesse estabilizada. "Estava nos meus planos que eles viessem morar comigo", disse a mãe. O marido está desempregado e Claudia não trabalha.   Com informações de Humberto Maia Júnior e Marici Capitelli, do Jornal da Tarde.

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