Polícia Civil
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Polícia recaptura 100 presos que haviam fugido de presídio em Bauru

Detentos atearam fogo em colchões, pneus e instalações do prédio durante rebelião; Tropa de Choque entrou na penitenciária

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2017 | 14h31

SOROCABA - Até o início da tarde desta terça-feira, 24, a polícia havia recapturado 100 dos 152 presos que fugiram durante uma rebelião no Centro de Progressão Penitenciária (CPP3), em Bauru, no interior de São Paulo. A unidade estava com quase 1,5 mil detentos. Mesmo assim, ainda eram feitas buscas por outros fugitivos na área urbana e na zona rural da cidade, onde fica o presídio. Os presos atearam fogo em colchões, pneus e instalações do prédio, atingindo os três pavilhões do conjunto prisional. A Tropa de Choque invadiu o presídio para conter os revoltosos.

Às 13 horas, o tenente coronel Flavio Kazume, comandante da PM, informou que a situação estava sob controle no interior da unidade, que ficou bastante avariada pelo incêndio. As buscas se concentravam na zona rural, com apoio de forças policiais de outras cidades da região. 

De acordo com números divulgados pela Secretaria da Administração Penitenciária, a contagem revelou que 152 detentos dos cerca de 1,5 mil que estavam na unidade se evadiram e 100 tinham sido recapturados até as 19 horas desta terça-feira. 

Os fugitivos que foram pegos estão sendo levados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru e vão receber medidas disciplinares, incluindo a volta para o regime fechado.

A fuga em massa deixou a cidade em pânico. Alguns detentos roubaram carros para escapar e houve perseguição. De manhã, moradores relataram tiros disparados durante o cerco aos fugitivos, mas a PM informou que não houve feridos com gravidade. As empresas das imediações do CPP fecharam os portões e ao menos 60% das lojas do centro da cidade baixaram as portas. Taxistas abandonaram os pontos, temendo serem rendidos. A unidade do Poupatempo fechou a entrada principal, reaberta horas depois, e a Câmara de Vereadores encerrou o expediente às 11 horas, sob a alegação de falta de segurança. 

No início da tarde, os presos continuavam no pátio, enquanto as condições do prédio eram avaliadas. O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Gilson Pimentel, contou que o motim teve início depois que funcionários viram um preso usando um celular e tentaram apreender o aparelho. Os outros detentos começaram a gritar palavras de ordem e o tumulto se espalhou. Segundo ele, ao espalhar o fogo pelas instalações, alguns presos ficaram feridos. 

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que o tumulto teve início durante uma revista aos re-educandos do CPP3. "O incidente aconteceu após um agente de segurança penitenciária ter cumprido o seu dever profissional, ou seja, surpreendeu um preso se comunicando através de celular."

Os detentos puseram fogo na unidade e aproveitaram para iniciar uma fuga em massa - no regime semi-aberto, o presídio não é cercado por muralhas. O Grupo de Intervenção Rápida (GIR), formado por agentes, e a tropa de choque da Polícia Militar invadiram a unidade.

Segundo a SAP, parte dos alojamentos da unidade foi danificada durante o motim, o que obriga a remoção de parte dos presos para outras unidades de regime semiaberto. Todos os presos envolvidos no episódio e apreendidos serão levados para unidades com regime fechado. O restante da população - cerca de 600 detentos - será abrigada nos alojamentos que não sofreram avarias ou foram pouco danificados. 

 

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