Polícia promete tirar carros da Guarapiranga

Cemitério de veículos perto da represa já foi multado por falta de licença ambiental; força-tarefa deve deixar até 5.200 deles prontos para ir a leilão

Elvis Pereira e Luísa Alcalde, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2010 | 00h00

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) criou uma força-tarefa para esvaziar o Pátio Santo Amaro, na região da Represa do Guarapiranga, zona sul. Nos próximos dez dias, entre 4 mil e 5.200 dos 12 mil veículos recolhidos ali já deverão estar prontos para ir a leilão - a primeira venda está prevista para 10 de novembro.

Esse é o maior pátio da capital e existem outros 39 locais particulares credenciados para receber veículos apreendidos pela polícia em fiscalizações ou objetos de processos judiciais.

Ali estão guardados principalmente veículos roubados, furtados, com chassi adulterado, que passou por crime de trânsito. Os donos desses locais são depositários fiéis dos carros.

Desde quarta-feira, 41 investigadores vistoriam os automóveis do Pátio Santo Amaro. Eles percorrem o terreno anotando números de chassi e motor, além da dados dos carros, como modelo, ano de fabricação e placa.

O valor arrecadado com a venda será usado para pagar despesas com o próprio leilão, pagamentos de impostos, como IPVA, multas e estadias. O que sobrar será depositado na conta do dono do automóvel ou de eventuais credores do bem.

A promessa do governo é esvaziar os 40 pátios privados da cidade. "Escolhemos começar por esse porque, além de ser o maior e emblemático, está sendo investigado por questões ambientais", disse Arnaldo Hossepian Júnior, secretário-adjunto da SSP.

A investigação teve início em 12 de dezembro de 2008. Após receber uma denúncia, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado interditou o pátio. Motivo: a falta de alvará para atuar em área de manancial. Na época, havia ali cerca de 17 mil veículos.

Em março de 2009, o Ministério Público deu prazo de um ano para o dono do pátio esvaziá-lo. No mesmo ano, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) exigiu a investigação do terreno, para apurar se houve contaminação do solo. E o responsável pelo pátio disse à companhia que óleo e combustíveis dos veículos eram retirados antes do armazenamento.

A Cetesb recebeu do proprietário um plano de amostragem de solo e águas, que prevê entrega de um laudo até o fim deste mês. Só então se poderá saber se a atividade contaminou o terreno.

A Prefeitura também fiscaliza o pátio desde 2008 e já o multou quatro vezes. Duas multas, de R$ 10 milhões e de R$ 1,7 milhão, foram por exercício de atividade poluidora sem licença ambiental. As demais, de R$ 10 mil e R$ 20 mil, por danos a árvores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.