Polícia prende três suspeitos de incêndio que matou motorista

O ataque aconteceu na Estrada Turística do Jaraguá, na zona norte, e o motorista, John Carlos Brandão, teve 70% do corpo queimado

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 08h52

Atualizado às 14h20

SÃO PAULO - A Polícia Civil prendeu em flagrante três homens apontados como participantes do incêndio a um ônibus na zona norte de São Paulo, que resultou na morte do motorista John Carlos Brandão, de 42 anos. Outros quatro suspeitos, entre eles três menores de idade, também foram identificados pelos policiais, mas continuam foragidos.

Segundo o delegado Pietro Antônio Minichillo de Araújo, titular do 46º Distrito Policial (Perus), responsável por investigar o caso, Juan Diego Garcia, de 19 anos, é apontado como o mentor do crime. Ele foi preso por associação criminosa e corrupção de menores.

Além dele, Lucas Mateus da Silva, de 18 anos, e Marcos Vinícius de Oliveira Silva, de 22, também foram presos. Todos os suspeitos têm antecedentes criminais e moravam perto do local em que o ônibus foi incendiado, afirma a Polícia Civil. Eles teriam confessado participação no crime.

O três foram levados à carceragem do 91º Distrito Policial (Ceasa), de onde serão encaminhados a um Centro de Detenção Provisória. “Pelo que nós apuramos, ainda há mais alguns suspeitos para serem identificados”, afirma o delegado.

Incêndio. O caso aconteceu no último sábado, 18, quando um grupo ateou fogo em um coletivo da empresa Santa Brígida, na Estrada Turística do Jaraguá, na zona norte da capital paulista. Por causa do ataque, John Carlos Brandão teve 73% do corpo queimado e não resistiu aos ferimentos.

Aos policiais, Lucas Mateus da Silva teria afirmado que esperou todos os passageiros desceram para tocar fogo no ônibus, mas o motorista teria tentado agredi-lo com socos. Durante o confronto, os dois caíram no chão, molhado de gasolina. Brandão teria, então, tentado subir de novo no coletivo pela porta da frente, quando um menor de idade, que estava na porta de trás, iniciou o incêndio. 

Ouça abaixo a gravação de um dos suspeitos:

Outras testemunhas, entre elas o cobrador, afirmam que o grupo entrou no ônibus e, ao mandar todos desceram, Brandão teve dificuldade para retirar o cinto. Irritados com a demora, os criminosos teriam derramado gasolina sobre ele e ateado fogo.

Na delegacia, os suspeitos teriam dito que um amigo de 21 anos foi morto por policiais militares no sábado, o que teria motivado o ataque ao ônibus. Segundo o delegado Pietro Antônio Minichillo de Araújo, o jovem teria morrido após receber dois tiros em uma tentativa de assalto contra um policial militar aposentado.

John Carlos Brandão chegou a ficar internado em estado gravíssimo na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Geral de São Mateus, na zona leste, mas morreu quatro dias depois. Durante seu velório, o sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus do Estado paralisaram quatro terminais (Pirituba, Casa Verde, Cachoeirinha e Lapa) por cerca de uma hora em protesto à falta de segurança da categoria.

Ouça abaixo outra gravação dos suspeitos:

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