FELIPE RAU/ESTADÃO
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Polícia prende suspeito de ter vendido arma a autor de massacre em Suzano

Ele deve responder por homicídio com dolo eventual por ter presumido o risco de provocar as mortes. Ataque terminou com dez óbitos

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2019 | 18h26
Atualizado 11 de abril de 2019 | 12h14

SÃO PAULO -  A Polícia Civil de São Paulo prendeu na tarde desta quarta-feira, 10, um homem acusado de vender a arma e parte das munições usadas no massacre da Escola Raul Brasil, em Suzano. O atentado aconteceu no dia 13 de março e terminou com a morte de oito vítimas e dos dois atiradores.

O suspeito Cristiano Cardias de Souza, o Cabelo, de 47 anos, teve a prisão temporária decretada pela Justiça nesta semana e deve responder por homicídio com dolo eventual - quando se presume que ele assumiu o risco de matar. Segundo a investigação, ele já tem passagem pela polícia.

Policiais da Delegacia de Suzano, responsável pelo inquérito que investiga o massacre, fizeram campana ao longo do dia na casa do suspeito, localizada no bairro Casa Branca, área rural da cidade. Cabelo não resistiu à prisão.

Segundo a investigação, ele teria sido responsável por negociar diretamente com o jovem apontado como o líder do ataque, G. T. M., de 17 anos. A compra da arma - um revólver calibre 38, com a numeração raspada - e de munições foi feita ainda no ano passado.

Identificar o vendedor do revólver era considerado prioriade para a polícia após o massacre. Os investigadores conseguiram chegar ao suspeito após analisar conversas de celular e cruzar dados.

Embora G. T. M. tenha ido buscar a arma com o comprador, ela provavelmente foi paga pelo outro atirador, Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, de acordo com a investigação. Entre os autores do crime, ele era o único com renda fixa: recebia cerca de R$ 1,5 mil por mês.

No pedido de prisão aceito pela Justiça, a Polícia Civil representou Cabelo por homicídio, crime considerado hediondo pela legislação. Para os investigadores, ele teria assumido o risco de matar ao vender ilegalmente a arma de fogo, que não tinha numeração, a um menor de idade 

Exames do Instituto Médico Legal (IML) apontam que seis das oito vítimas morreram por ferimentos provocados pelo revólver. Outras duas foram assassinadas a golpes de machado.

Foi G. T. M. quem ficou com o revólver durante o massacre. Quando a dupla acabou cercada por policiais militares, o atirador também usou a arma para matar o comparsa, Luiz, e depois cometer suicídio.

Um terceiro jovem, acusado de ter planejado o ataque mas não participado do tiroteio, está apreendido na Fundação Casa. A defesa nega participação.

Autores compraram 16 itens para o massacre

Ao todo, os autores compraram 16 itens para realizar o massacre. A lista inclui uma besta (adquirida por Luiz em uma loja esportiva em São Paulo) e coturnos (negociados pela internet).

A primeira compra - um canivete - foi realizada em maio de 2018. Para a polícia, a data marca o início do planejamento do ataque. Há suspeita de que os autores tenham tentado adquirir uma segunda arma de fogo, mas não teriam encontrado outro fornecedor. Por isso, teriam usado a besta.

A última aquisição foi feita no dia 8 março, já próximo ao massacre. Na ocasião, eles adquiriram luvas táticas e bandoleiras, segundo a polícia.

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