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Polícia prende suspeito de roubo milionário de joias

Deic fez a prisão graças a um descuido do acusado, que começou a gastar sem controle, fazendo compras com dólares e libras

Marcelo Godoy e William Cardoso, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2011 | 00h00

A polícia prendeu o primeiro acusado de participar da quadrilha responsável pelo roubo milionário dos cofres do Itaú graças a um tipo de descuido comum entre bandidos. Depois de um grande assalto, o suspeito começa a gastar descontroladamente, ostentando uma riqueza inexplicável, o que desperta a atenção da polícia e de seus informantes. Foi o que teria feito o pedreiro Marco Antônio Rodrigues dos Santos, de 29 anos.

Quem explica é o diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Nelson Silveira Guimarães: "Você já viu um vagabundo andar com libra esterlina no bolso?" O acusado tinha muitas delas. Com ele, os policiais encontraram £ 10,8 mil. O pedreiro usou ainda dólares (US$ 8 mil) para comprar uma Montana e mantinha consigo 12 joias e cerca de 400 pedras preciosas.

Tudo fazia parte do botim arrecadado pelos 16 ladrões que invadiram o banco, na Avenida Paulista, no centro de São Paulo, no dia 27 de agosto. Eles arrombaram 138 de seus 2,5 mil cofres.

Entre eles estava, segundo o Deic, um irmão do pedreiro, o cabeleireiro Francisco Rodrigues dos Santos - outros sete suspeitos já foram identificados pela polícia. A quadrilha levou uma fortuna estimada em R$ 100 milhões. Tudo em dólares, euros, libras esterlinas, joias, diamantes e barras de ouro.

A polícia descobriu o pedreiro após duas semanas de investigações. Marco Antônio não estava no banco no dia da ação. "Diante do que foi roubado, o que encontramos com ele é pouco", afirmou Guimarães. "Mesmo assim, é importante. É o começo que nos permitirá identificar o restante da quadrilha."

O pedreiro foi indiciado sob as acusações de receptação de objetos roubados e formação de quadrilha. Ele foi apanhado em sua casa na zona norte de São Paulo, na Rua Silvano de Almeida, no Limão. Contou que havia escondido o que recebera do irmão na casa de sua namorada, na Rua Liberty, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.

Ali, embaixo de um sofá, havia um pacote com libras, as joias e as pedras. Em um dos quartos, os policiais acharam uma máquina para cortar metal. "Tudo o que encontramos foi um troco que ele (Marco Antônio) recebeu do irmão", disse o delegado.

De acordo com ele, o acusado preso confirmou a participação do irmão no crime - Francisco foi um dos homens fotografados pelo sistema de segurança do banco. "Agora o Deic vai atrás do restante dos criminosos."

A investigação oficial do crime, conduzida pelo Deic, começou com nove dias de atraso, depois que um desencontro de informações permitiu aos bandidos uma fuga tranquila. Um dos líderes do bando seria um assaltante conhecido como Clebinho. Até ontem, apenas cinco dos clientes do banco haviam procurado a polícia.

Cofres. Itaú decidiu ontem acabar com o aluguel de cofres particulares. Um serviço considerado ultrapassado pelos executivos de bancos, o aluguel corre o risco de desaparecer no País. Cada cliente pode guardar o que quiser no cofre. O banco paga apenas R$ 15 mil de seguro em caso de roubo, mas é possível contratar um seguro particular. Com a saída do Itaú, Banco do Brasil e Citibank são algumas das grandes instituições financeiras que mantêm esse serviço. / COLABOROU PAULO SAMPAIO

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