Polícia prende suspeito de enviar cartas com pó verde

Impressões digitais levaram a polícia à prisão; homem aparenta problemas mentais

Andressa Zanandrea, Jornal da Tarde

26 de outubro de 2007 | 10h03

A polícia prendeu o suspeito de mandar cartas com ameaças a embaixadas, entidades, empresas e autoridades, no final da noite de quinta-feira, 25. Nos envelopes - boa parte deles assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Divino Aloizio de Sousa, de 41 anos, colocava um pó verde e um líquido. Ele foi preso em um sítio em Itapevi, na Grande São Paulo, depois de investigação conjunta entre a polícias Civil, Federal e a Agência Brasileira de Inteligência.  Sousa disse aos policiais que é membro da Jihad Islâmica e que incorporava "Chyren, o medo". Ele, que aparenta ter problemas mentais, postou 66 cartas da agência dos Correios da Vila Leopoldina, na Zona Oeste da Capital, principalmente após o dia 19 de outubro. Dessas, mais de 30 já foram localizadas pela polícia. Os envelopes foram enviados a mais de 20 embaixadas, empresas de comunicação, jornalistas e entidades. Algumas tinham até 16 páginas. "Em cada uma ele ia mudando o conteúdo. Falava em fundamentalismo e incluía cópias de coisas encontradas em sites e no Orkut", afirmou o delegado-geral do Estado de São Paulo, Maurício Freire. Durante dois dias, o caso mobilizou a polícia. Houve tumulto no Setor de Embaixadas, em Brasília, que teve a segurança reforçada, inclusive com policiais do grupo antibombas.  O remetente foi identificado com base nas impressões digitais e também por ter enviado uma carta à escola onde estudou, em Diadema, no ABC Paulista, pedindo o currículo escolar, em 22 de novembro de 2006. A carta, assinada com o nome verdadeiro e por "Chyren, o medo", continha ameaças à diretora da escola, de acordo com a polícia. "Temos diversos elementos de prova de que era ele o autor das cartas. Em menos de 24 horas do conhecimento, ele foi identificado e preso", disse Maurício Freire. Análises preliminares identificaram que o pó verde não oferece risco, não é radioativo nem explosivo e não tem origem biológica: seria composto de sódio, cálcio, carbono, fósforo, enxofre e oxigênio. Boa parte dos envelopes tinha o brasão da República e a reprodução da assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outras eram assinadas pelo governador de São Paulo, José Serra, e por outras personalidades.

Tudo o que sabemos sobre:
pó verdeembaixadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.