Polícia prende suspeito de atirar bomba na Câmara de São Paulo

Taxista anotou a placa do carro de Iranildo da Silva Alves Brasil, depois de supostamente vê-lo lançar três artefatos. Brasil foi retratado em reportagem do 'Estado', no dia 1.º, sobre black blocs 

Luciano Bottini Filho e Lourival Sant'Anna, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2014 | 16h30

Atualizado às 19h

SÃO PAULO - A Polícia Civil prendeu em flagrante na quinta-feira, 12, Iranildo da Silva Alves Brasil, de 22 anos, sob acusação de ter lançado coquetéis molotov contra a Câmara Municipal de São Paulo, na manhã de abertura da Copa do Mundo. Brasil, estagiário de Direito, foi retratado em uma reportagem do Estado sobre os black blocs publicada no dia 1.º de junho. 

O ataque ocorreu por volta de 7 horas. As bombas incendiárias não explodiram. De acordo com o boletim de ocorrência, o carro dirigido por Brasil foi seguido por um taxista até a Vila Carrão, na zona leste de São Paulo, quando ele o perdeu de vista. Mas o taxista anotou a placa e comunicou à polícia. O carro está registrado em nome da mãe do estagiário. Depois de a mãe e a irmã serem levadas pela polícia, o estudante de Direito se apresentou à delegacia, informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Ele afirmou que os coquetéis foram atirados por dois conhecidos que levava no carro, mas se recusou a fornecer a identidade deles. Ainda segundo o boletim de ocorrência, foram encontrados no carro uma máscara e um capacete do mesmo tipo dos utilizados nas manifestações.

A prisão de Brasil ocorreu por volta do meio-dia de quinta-feira, mas a assessoria da Secretaria de Segurança Pública só divulgou a informação nesta sexta-feira, 13. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, Brasil continuava preso até a noite desta sexta, sem direito à fiança, por causa do agravante de utilizar explosivo contra prédio público. Sua advogada, Patrícia Gomes, não confirmou nem negou a prisão ao Estado.

Explosão. Segundo a polícia, às 7h de quinta-feira, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) registrou três explosões próximas à Câmara Municipal, que estava fechada por causa do feriado da abertura da Copa do Mundo. Não houve feridos e a explosão foi de pequenas proporções, sem causar danos. A própria GCM preservou o local até o término da perícia.

Brasil foi considerado o herói da manifestação do dia 26 na Praça da Sé, porque impediu policiais militares de revistarem o seu Santana, depois que um manifestante mascarado foi buscar objetos no carro. Ele foi com os policiais para uma delegacia de polícia. O delegado lhe deu razão, segundo o seu relato, respaldando a sua posição de que seu carro não poderia ser objeto de busca sem "fundada suspeita", conforme artigo do Código Penal. Pacífica, a manifestação do dia 26 contra a Copa reuniu cerca de 250 pessoas, a maioria black blocs e seus simpatizantes.

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