Felipe Resk/Estadão
Felipe Resk/Estadão

Polícia usa vídeo para identificar suspeito de assaltar ônibus

Caçada em Diadema teve início logo após ataque a ônibus intermunicipal no Jabaquara; acusado nega ter estado em coletivo

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 16h06
Atualizado 20 Abril 2018 | 22h34

SÃO PAULO - Após receber uma denúncia anônima, a Polícia Civil prendeu em flagrante o ajudante de cozinha Raphael Teleforo Barbosa, de 24 anos, suspeito de participar do assalto a um ônibus intermunicipal que terminou com um PM, um criminoso e um passageiro mortos, além de quatro feridos, no Jabaquara, zona sul de São Paulo. Acusado de latrocínio (roubo seguido de morte), ele negou participação no ataque.

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O crime aconteceu na tarde desta quinta-feira, 19, após o ônibus que fazia a linha Jabaquara-Ferrazópolis parar na Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira. Por volta das 15h55, dois homens subiram e anunciaram o assalto. Armado de uma pistola calibre 380 e à paisana, o cabo da PM Elton Ricardo Cunha, de 38 anos, teria reagido ao roubo, segundo a investigação.

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Em depoimento, um passageiro disse que viu um homem, possivelmente o PM, tentando dar uma “gravata” em um criminoso. Imagens de câmeras de segurança, no entanto, não confirmam a versão. Para os investigadores, o mais provável é que Cunha tenha iniciado a troca de tiros e acabou atingido por cinco disparos - dois deles na cabeça.

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O estudante Felipe Fuschi Amaro, de 23 anos, também foi baleado e morreu. A Polícia Civil ainda não sabe de qual arma partiu o tiro que o atingiu. Duas passageiras foram alvejadas e precisaram ser internadas no hospital. Um homem sofreu um disparo de raspão e o motorista foi atingido por estilhaços. 

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O terceiro morto foi Damião Barbosa Sousa, de 32 anos - reconhecido pelo condutor do veículo como um dos assaltantes. Com ele, os policiais apreenderam um revólver calibre 38. Mesmo baleado no peito, ele chegou a sair do ônibus, mas ficou caído na calçada. Tinha passagem por roubo e receptação.

Prisão

O outro assaltante conseguiu fugir e os policiais iniciaram uma caçada. Logo após a ocorrência, dois suspeitos foram detidos para averiguação e levados ao 26.º DP (Sacomã), que registrou o caso. 

Um dos investigados era um desempregado de 32 anos que estaria vestindo roupas parecidas com a do foragido e foi pego correndo. Outro era um estudante de 22 anos, cujo Bilhete Bom (usado para viagens intermunicipais) estava no bolso de Sousa, o assaltante morto.

Os dois também tinham tatuagem no braço, característica que batia com a do fugitivo, e eram moradores do Jardim Campanário, em Diadema, no ABC - mesma comunidade de Sousa. Na delegacia, a dupla negou ter cometido o crime. Para explicar o cartão dele em posse do assaltante, o estudante disse que era vizinho de Sousa e pegara emprestado o bilhete.

Ambos foram liberados só no dia seguinte. “Todos prestaram esclarecimentos, não foram reconhecidos e não estavam no local”, disse a delegada Nilze Scapulatiello, titular do 97.º DP (Americanópolis), responsável por instaurar o inquérito. A Polícia Civil, porém, ainda investiga se há participação deles em outros ataques a ônibus na região.

Foi a PM que localizou Raphael Barbosa, após denúncia anônima, na manhã desta sexta-feira, 20. Na casa dele, também no Jardim Campanário, policiais acharam uma camiseta e uma bermuda no lixo, aparentemente sujas de sangue. Como as peças não aparecem nas gravações do ônibus, no entanto, não eram suficientes para confirmar o flagrante. 

A prisão só foi possível depois que técnicos da empresa proprietária do ônibus melhoraram a qualidade das imagens gravadas. Ao analisá-las, a polícia concluiu que as tatuagens do assaltante coincidiam com as de Barbosa - ele tem um palhaço, uma carpa e dois nomes gravados nos braços.

Em novas buscas na casa, os policiais encontraram um boné preto, o mesmo que teria sido usado no assalto. “São provas contundentes”, disse a delegada Nilze, que lavrou o flagrante e solicitou a prisão preventiva do suspeito. Segundo a polícia, ele tem passagem por tráfico.

Com as mãos e os pés algemados para entrar na viatura, Barbosa disse à imprensa que não estava no ônibus. “Estou sendo injustiçado.” Agora, deve passar por audiência de custódia.

Feridos

N. M. do P. R., de 58 anos

Passageira do ônibus, a aposentada foi baleada duas vezes e levada a um hospital da zona sul, onde ficou internada. Um dos tiros atravessou seu pulmão esquerdo. O estado de saúde é estável, segundo a polícia.

R. A. B., de 29 anos

Um tirou acertou a clavícula esquerda da técnica em enfermagem, também passageira do ônibus. Ficou em observação em um hospital de Santo André.

M. P. C. A., de 43 anos

Motorista do ônibus, sofreu ferimentos por estilhaços. 

E. S. S., de 22 anos

Confeiteiro, subiu em Diadema e sentou perto do motorista. Feriu-se de raspão no braço direito. 

Pontos-chave

Abordagem

Às 15h55 desta quinta, dois homens subiram no ônibus e anunciaram o assalto. 

Reação

Armado de uma pistola calibre 380 e à paisana, o cabo da PM Elton Ricardo Cunha, de 38 anos, teria reagido ao roubo, segundo a investigação.

Resultado

O PM, um dos bandidos e um passageiro morreram no tiroteio. Outras quatro pessoas ficaram feridas e uma delas continua hospitalizada.

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