Polícia Civil/Divulgação
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Polícia prende quatro homens por tráfico de drogas em Cumbica

Entre os detidos estão dois funcionários da TAM, que fariam parte de esquema que possibilitava despacho de malas no aeroporto sem inspeção de raio X

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2016 | 13h36
Atualizado 08 Agosto 2016 | 15h59

SÃO PAULO - A Polícia Civil de São Paulo prendeu em flagrante quatro pessoas no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, suspeitas de integrar uma quadrilha de tráfico internacional de drogas. Entre os detidos, há dois funcionários da companhia aérea TAM. Segundo as investigações, o grupo atuava há cerca de três anos em Cumbica e movimentava € 2,5 milhões (R$ 8,8 milhões) por semana.

Foram presos Thiago Teixeira Dela Torre, o Panda, chefe do carregamento de malas, e seu subordinado Cristiano José de Almeida, acusados de facilitar o despacho das bagagens com drogas. Os policiais também prenderam os irmãos Adão Henrique Marques, ex-funcionário da companhia e apontado como chefe da quadrilha, e Edilberto Gean Marques, proprietário do veículo que levava os carregamentos ao aeroporto.

As investigações começaram após uma mala com 9 kg de cocaína ser apreendida há cerca de dois meses, em Cumbica. Na ocasião, um suspeito despacharia a bagagem, mas foi interpelado por um funcionário do aeroporto e saiu correndo.

Ao analisar imagens do circuito de segurança, os investigadores chegaram até os irmãos Marques, que teriam sido flagrados levando a mala ao aeroporto. Eles passaram a ser monitorados pela polícia. "A gente começou a mapear a movimentação deles e o trânsito que faziam no dia a dia", afirmou o delegado Luiz Alberto Guerra, titular da 3ª Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur).

As bagagens eram despachadas no Terminal 2, onde são realizados voos domésticos. Lá, Panda e Almeida identificavam qual mala estava com a droga, trocavam a etiqueta e a levavam para o Terminal 3, onde os dois trabalhavam, que faz voos internacionais. "Sem a participação deles, o esquema seria inviável", disse Guerra.

Inspeção. Por causa do esquema, as malas eram despachadas sem passar por inspeção de raio X. A quadrilha fazia a comunicação por celular e os funcionários da companhia recebiam imagens das bagagens antes, para facilitar a identificação da carga que trocaria de esteira. A polícia também suspeita da participação de funcionários de uma empresa terceirizada, que atua no transporte interno de bagagens no aeroporto.

Na tarde última sexta-feira, 5, os investigadores flagraram Adão Marques conversando com os dois carregadores de mala da TAM. Por volta das 22h30, ele e o irmão foram abordados pelos policiais no momento em que chegavam ao aeroporto com 17 kg de cocaína escondidos em uma mala.

Eles foram presos assim que pararam e abriram a mala do carro, um Fiat Palio Weekend. Segundo as apurações da polícia, a droga iria para a África do Sul, em uma decolagem marcada para 23h35. Na casa do chefe da quadrilha, foram encontrados mais 10 kg de cocaína e cerca de R$ 4,8 mil. De acordo com os investigadores, a droga seria traficada para a Inglaterra nesta terça-feira, 9.

Os dois funcionários foram detidos aguardando a bagagem no Terminal 2. "A mala ia desacompanhada. Eles colocavam uma etiqueta falsa e chegava para um destinatário fictício lá fora", afirmou Guerra. A Polícia Civil ainda não identificou quem seria responsável por retirar a carga no país de destino. A Polícia Federal deve assumir as investigações, uma vez que se trata de crime de tráfico internacional.

A LATAM Airlines Brasil declarou, em nota, que "está colaborando de forma proativa e preventiva com as autoridades nas investigações, colocando à disposição todas as informações e tecnologias que permitam esclarecer o caso".

"A companhia preza pela boa conduta e o cumprimento integral da legislação e reforça seu compromisso com os mais altos padrões de qualidade e segurança", diz o texto.

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