Polícia prende quadrilha que roubava e clonava carros de luxo

Bandidos trabalhavam 'sob encomenda'; foram apreendidos 15 veículos de marcas como BMW, Land Rover e Honda

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2011 | 00h00

A polícia de São Paulo prendeu ontem nove integrantes de um quadrilha especializada em roubar e clonar carros de luxo. Quinze veículos seminovos, de marcas como BMW, Land Rover e Honda, foram apreendidos. Todos tinham placas e chassis adulterados. A operação foi comandada pelo 7.º Distrito Policial (Lapa), delegacia líder no ranking no número de roubos e furtos de veículos na capital.

Segundo a polícia, os carros eram roubados sob encomenda e muitas vezes levados para o Paraguai. Na garagem da casa de um dos presos, havia uma oficina equipada com uma espécie de "kit adulteração": ácido para mudar chassis, formulários para documentos e até peças para alterar motores. Um Honda Civic estava com a clonagem completa, pronto para ser entregue aos receptadores.

A investigação começou há três meses. Inicialmente, o alvo era Leonardo Rodrigues, de 29 anos, conhecido como Peralta. De acordo com o delegado titular do 7.º DP, Rubens Barazal, o acusado é ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e tinha a função de recolher recursos para a facção criminosa.

Durante a apuração, a polícia chegou aos comparsas de Peralta. "A partir disso, pedimos à Justiça prisões temporárias e mandados de busca", disse o delegado. A maioria dos detidos tem passagem pela polícia por crimes contra patrimônio e receptação de carros roubados. As prisões ocorreram na Vila Santa Catarina e na Água Funda, bairros da zona sul. Ao todo, 40 viaturas e 70 policiais participaram da operação.

Pátio. Ontem à tarde, o pátio da delegacia virou um estacionamento de carros de luxo, à espera de proprietários e seguradoras. Os veículos devem passar por perícia, para detectar sua origem real e, consequentemente, a data do roubo ou furto. O proprietário de um Range Rover, vítima de clonagem, esteve na delegacia.

Receptadores. Barazal espera ainda chegar aos receptadores dos veículos roubados e adulterados. "O preço cobrado era muito menor (do que o de mercado) e eles devem saber disso. Um Land Rover de R$ 300 mil era vendido por R$ 40 mil", disse. Resta ainda prender pelo menos dois integrantes do bando, apontados como responsáveis pela venda dos veículos. O delegado diz que em trechos de escuta telefônica compradores perguntam se o "vendedor" tem um carro da marca Porsche.

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