Polícia prende mais 3 e goleiro se nega a fazer DNA

Primo diz que perguntou a Bruno se não teria sido melhor resolver problemas com Eliza na Justiça; após chorar, se disse arrependido

Eduardo Kattah e Tiago Dantas / BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2010 | 00h00

Os últimos três suspeitos de envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, foram presos ontem. Elenilson Vitor da Silva, administrador do sítio do atleta, Flávio Caetano de Araújo, o Flavinho, e Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, foram detidos juntos em Igarapé, região metropolitana de Belo Horizonte.

Nove pessoas, incluindo um adolescente de 17 anos, foram presas por homicídio, sequestro/cárcere privado e lesão corporal. A polícia trabalha com a hipótese de que a morte de Eliza tenha sido premeditada. Ontem, no Departamento de Investigação, em Belo Horizonte, Bruno, seu braço direito, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, suspeito de estrangular Eliza, recusaram-se a ceder material genético para as investigações, seguindo orientação de seus advogados. Sob gritos de "assassinos", eles chegaram à delegacia algemados e com uniformes de preso.

Na noite anterior, durante a viagem a Minas, Bruno foi questionado por uma policial sobre sua religião. "Sou evangélico", respondeu. "Você é um evangélico desviado", disse a policial, depois que Bruno não soube citar o Salmo 18 e um cântico de louvor.

Arrependido. No depoimento que prestou aos delegados Wagner Pinto e Edson Moreira, o primo do jogador, Sérgio Salles, de 22 anos, disse que Bruno teria se arrependido. Ele questionou o goleiro sobre a necessidade do crime. "Cara, não era melhor você ter resolvido isso na Justiça?", perguntou. "Já tá feito", teria respondido o goleiro. Já de volta ao sítio em Esmeraldas, depois da suposta execução, Bruno, segundo ele, "pareceu ter ficado comovido", chorou e disse: "Eu tô arrependido".

Os três advogados de defesa envolvidos no caso se queixam da demora da polícia mineira em permitir acesso ao inquérito. O delegado Edson Moreira prometeu que eles poderão pegar uma cópia do trabalho policial hoje.

Moreira afirmou ainda que espera que Bruno coopere com a investigação, mas sugeriu que a polícia já tem provas suficientes para indiciá-lo. Para ele, há duas motivações para o crime: a busca de Eliza pelo reconhecimento da paternidade do filho e a vingança pelo fato de ela ter denunciado Bruno e Macarrão pela agressão e por uma ameaça no Rio.

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