Polícia prende líder do PCC acusado de mandar matar PM em novembro de 2012

Márcio Aurélio Lira de Almeida, conhecido como Japa, estaria envolvido nos assassinatos de ao menos dois policiais militares ocorridos no final do ano passado em São Paulo

William Cardoso, de O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2013 | 21h51

A polícia prendeu nesta segunda-feira, 28, Márcio Aurélio Lira de Almeida, 38 anos, acusado de ter ordenado a morte do policial militar Adriano Garcia Barbosa, em 30 de novembro. Segundo as investigações, Japa, como é conhecido, é uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na zona sul de São Paulo.

Japa foi preso na casa da ex-mulher, por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Ele estava desarmado, sozinho, e não esboçou reação. A polícia chegou até ele após investigações da 3ª Delegacia (chacinas e latrocínios) do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

"Apagamos um policial militar hoje", disse Japa, segundo depoimentos colhidos durante o inquérito, logo após o assassinato do soldado Barbosa. O crime aconteceu na Rua Rosário Scamadi, no Capão Redondo, e era investigado como latrocínio, porque os ladrões, que foram presos no mesmo dia, levaram a moto e uma pistola .40 do PM. Os autores, menores de idade, foram presos logo após o homicídio.

De acordo com as investigações, Japa era também "chefe" de Léo Gordo, integrante do PCC preso em novembro pela 5ª Delegacia do Patrimônio (Roubo a Bancos) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) sob a suspeita de ter ordenado a morte de policiais militares também na zona sul.

A diretora do DHPP, Elisabete Sato, anunciou nesta segunda-feira que as investigações devem prosseguir para saber se Japa ordenou a morte de outros policiais. "Todos sabemos que o ano de 2012 foi bastante difícil para nós policiais. Foi de domínio público que houve uma ordem para PMs serem assassinados. Essa é a resposta que damos hoje", disse. "Vamos ver se ele confessa a autoria de outros assassinatos", completou.

No momento, ele não deverá seguir para presídios federais, como ocorreu recentemente com outras lideranças do PCC. Por enquanto, a intenção é mantê-lo em São Paulo, até para que seja possível esclarecer outros crimes nos quais pode estar envolvido.

Segundo o capitão Cassio de Araújo de Freitas, coordenador operacional da Rota, Japa se preparava para viajar para Fortaleza, onde realizaria na terça-feira, 29, o roubo a uma agência bancária. "Ele era capaz de se articular até mesmo em outros estados."

De acordo com o capitão Cassio, o suspeito conseguiu destaque na facção por ter uma longa ficha criminal (antecedentes por roubo, formação de quadrilha, etc.) e várias passagens pelo sistema prisional. "Ele tem autonomia para tomar decisões, para manter o domínio na distribuição de drogas e do crime na região", disse. "Essa autonomia dá a ele a capacidade de dizer quem irá executar o crime, senão ele próprio."

Prisão. No domingo, 27, a Rota prendeu, também na zona sul, William da Silva Oliveira. Ele é acusado de ter participado do assassinato do soldado Laércio Ferreira Borges, da 2ª CIA de 27ºBPM, em 28 de setembro.

Segundo o capitão, a Rota fará patrulhamento em áreas identificadas pelo DHPP como focos de homicídios na capital.

Mais conteúdo sobre:
PCCPMSão Pauloguerra

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.