EDU SILVA/FUTURA PRESS
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Polícia prende jovem suspeito de matar e esquartejar a tia

Partes do corpo da mulher foram encontradas dentro de uma geladeira na residência onde moravam, em São Paulo

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 12h43

Atualizada às 20h39

SÃO PAULO - Fichado na polícia como skinhead e neonazista, o lutador de jiu-jítsu Guilherme Lozano Oliveira, de 22 anos, matou a tia Kely Cristina de Oliveira com um golpe chamado mata-leão – o braço em torno ao pescoço imobiliza e sufoca a vítima. Depois, esquartejou a mulher de 44 anos, retirou as prateleiras da geladeira e lá escondeu o corpo. Tudo isso há dois meses. Só nesta quarta-feira, 5, seu pai desconfiou do sumiço da irmã e chamou a polícia. Guilherme ainda tentou fugir, mas acabou preso.

Aos policiais militares que o detiveram, o acusado confessou o crime. “Estou arrependido”, disse. A Justiça decretou sua prisão por homicídio, por ocultação de cadáver e por desobediência, em razão da fuga.

Não foi a primeira vez que o lutador foi parar na cadeia. Ele passou oito meses atrás das grades em 2011, depois de participar de uma emboscada de skinheads contra punks e de matar a facadas um dos rivais: Johni Raoni Galanciak. O crime aconteceu na frente do Carioca Club, em Pinheiros, zona oeste. Acabou solto pela Justiça. Condenado a 15 anos, apelou da sentença e aguardava o julgamento do recurso em liberdade.

Nesta quarta, o pai do rapaz, o aposentado Marco Antonio de Oliveira, de 48 anos, foi ao apartamento em que o filho vivia com a tia. Queria notícias da irmã. Como o jovem não soube explicar o sumiço de Kely, o pai decidiu chamar a polícia. 

Atendendo à denúncia, os homens do 5.º Batalhão da Polícia Militar foram ao apartamento do acusado. Ao notar a aproximação dos PMs, o lutador entrou em seu Escort preto, que tem nas portas uma cruz de ferro – símbolo militar alemão – e acelerou. Ele dirigiu o carro em alta velocidade até bater em um poste da esquina das Avenidas Julio Buono e Major Dantas Cortes, na Vila Gustavo, na zona norte. Eram 22 horas.

Nervoso. Preso, foi levado primeiro para o 73.º Distrito Policial e, depois, para o 39.º DP. Ao delegado Milton Gomes de Oliveira, assistente do 39.º DP, Lozano disse que a tia era “bipolar” e que “tinha ataques nervosos”. Em um desses episódios, ocorrido havia dois meses, ele afirmou que tentou controlá-la, aplicando um golpe em seu pescoço, que a matou. Disse que usou “força desproporcional” – além de lutador, o rapaz tem 1,90 metro de altura. Segundo o delegado, ele estava desempregado, não tinha renda e morava de favor com a tia. Ele afirmava ter deixado de ser skinhead.

Lozano contou que após perceber que a mulher havia morrido, pensou em ligar para a polícia, mas ficou assustado. Disse que saiu de casa, ingeriu bebida alcoólica, até que teve a ideia, no mesmo dia, de ocultar o corpo. Ele afirmou ter usado um facão que tinha em casa para separar a cabeça e os membros do tronco da tia. O objeto, contou, foi descartado mais tarde em uma estrada. 

Em seguida, removeu as prateleiras da geladeira para guardar todas as partes. A ideia era levá-las, peça por peça, a um sítio da família em Itapevi, na região metropolitana. Só os braços foram levados e, segundo ele, enterrados em um sítio que pertenceu à família dele.

Peritos foram ao apartamento na Vila Gustavo e acharam os restos da mulher em sacos plásticos na geladeira. O tronco estava em uma mala. Foi solicitada perícia no local e no Escort. À tarde, os investigadores foram a Itapevi tentar achar os braços no sítio, sem sucesso.

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