Felipe Resk/Estadão
Felipe Resk/Estadão

Dois são presos por assassinato e estupro de meninas de 3 anos

Homens suspeitos de matar crianças eram vizinhos das vítimas na zona leste; um deles confessou os crimes

Ana Paula Niederauer e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 12h42
Atualizado 20 Outubro 2017 | 23h40

SÃO PAULO - Na tarde de 24 de setembro, as meninas Adrielly Mel Severo Porto, a Mel, e Beatriz Moreira dos Santos, a Bia, ambas de 3 anos, brincavam por vielas do Jardim Lapena, na zona leste de São Paulo, quando dois homens que bebiam em um bar ofereceram doce às crianças. Atraídas a um barraco, elas foram esganadas até a morte e, depois, estupradas. Responsáveis pelo crime, segundo a Polícia Civil, os vizinhos Marcelo Pereira Souza e Everaldo de Jesus Santos foram presos nesta sexta-feira, 20.

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Segundo a delegada Ana Paula Rodrigues, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra Crianças, Mel e Bia foram assassinadas no mesmo dia do desaparecimento. Os suspeitos vão responder por sequestro, homicídio, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver.

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O mistério sobre a morte das meninas foi revelado com a confissão de Marcelo Souza no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), na quinta-feira, 19. Os corpos haviam sido encontrados em estado de decomposição, dentro de uma Fiat Fiorino, a cerca de 150 metros da casa dos pais, no dia 12, Dia da Criança. Abandonado há cerca de três meses, o veículo estava entreaberto, em um terreno cercado. Um vizinho encontrou os cadáveres após sentir o mau cheiro e pular o muro.

Segundo investigadores, os criminosos esperaram anoitecer para carregar os corpos no colo. Não bateram a porta do veículo para não chamar atenção. Nele, havia mais de cem impressões digitais, mas os laudos ainda não foram concluídos. Nas meninas, peritos notaram a presença de “dentes rosados”, provocados pelo rompimento de vasos sanguíneos da boca - um sintoma característico de morte por asfixia. 

 

“Eles já estavam de olho nas duas, porque as meninas ficavam brincando na comunidade sem a proteção dos pais”, disse a delegada. Segundo ela, Marcelo Souza já havia cumprido seis anos de pena, após ser flagrado estuprando a filha de uma namorada, uma menina de 7 anos, em 2005. Já Everaldo Santos teria se envolvido em uma briga recente com o pai de Mel, o motorista Alan Porto, de 42 anos, acusando-o de ter roubado drogas dele. “Os pais dela são toxicômanos (dependentes químicos)”, explicou Ana Paula.

Na delegacia, Marcelo Souza teria confessado ser um “maníaco sexual” e ter atração por crianças do sexo feminino. Por esse motivo, foi proibido pela mulher de dar banho na filha de 4 anos. Aos policiais, também afirmou ter sido vítima de violência sexual aos 12 anos, praticada pelos primos.

No início da semana, os dois presos chegaram a ser resgatados de uma casa pela PM, onde estavam amarrados e com marcas de agressão. Eles haviam sido torturados por traficantes da área por causa da morte das meninas. “Na ocasião, não havia indício de participação deles no crime”, afirmou a delegada.

A confissão de Marcelo Souza aconteceu após a mulher dele ir à delegacia na quinta-feira. A ela, teria contado um dia após o crime que havia matado e estuprado as meninas. “Ela não estava mais conseguindo dormir com isso”, disse Ana Paula. Confrontado, ele não só admitiu o assassinato, como delatou o comparsa. Segundo a polícia, cada um estrangulou uma das crianças. 

Vulnerabilidade

As meninas viviam em situação de vulnerabilidade, segundo a Polícia Civil. No caso de Mel, os pais são usuários de droga. Bia, por sua vez, era criada pela avó paterna. O pai dela está preso por tráfico de drogas. Familiares dizem que as crianças não frequentavam a escola e estavam na fila por uma vaga na creche.

“Aleluia, glória a Deus! Aleluia! Foram presos!”, reagiu o pai de Mel no Cemitério da Saudade, em São Miguel Paulista, na manhã desta sexta-feira, ao saber das prisões dos suspeitos. Após a notícia, os presentes se manifestaram. Os gritos se alternavam. Ora: “Justiça! Justiça! Justiça!”. Ora: “Pena de morte!”.

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