Polícia prende bando que preparava arrastão

Grupo usava fuzis, submetralhadoras, algemas e até uma viatura clonada e tinha ainda a ajuda de dois policiais militares; foram presos 14 ladrões

CAIO DO VALLE / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2012 | 03h04

A Polícia Civil prendeu ontem 14 pessoas acusadas de pertencer a uma quadrilha especializada em arrastões a prédios residenciais em São Paulo. O bando planejava invadir um edifício de alto padrão na Rua Pedro Pomponazzi, na Chácara Klabin, zona sul. Dois policiais militares são investigados sob a suspeita de ajudar a quadrilha nos ataques por meio de escutas de rádio.

Um deles seria conhecido como Siqueira - um terceiro PM, do 45.º Batalhão, chegou a ser detido e liberado depois. A principal prova dos homens do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) contra os PMs - além de escutas telefônicas - são as ligações feitas dos números dos telefones celulares dos policiais para telefones usados pelos bandidos.

Desde sexta-feira, o Deic vigiava o bando. Naquele dia, os criminosos desistiram de agir porque o PM que os ajudaria voltou atrás. Na madrugada de ontem, o grupo voltou a se unir, pois havia arrumado um PM para ajudar. Quando tudo estava pronto, 60 homens do Deic, com apoio da PM, prenderam o bando.

Dois helicópteros da Polícia Civil, um deles blindado, participaram da operação. A quadrilha foi presa em uma casa no Cambuci, no centro, após três meses de investigações. Dois suspeitos tentaram fugir de carro, foram perseguidos e, em um tiroteio em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, ficaram feridos.

Os bandidos tinham dez carros clonados com a placas de veículos de moradores do edifício que seria assaltado - eles foram apreendidos ontem. A clonagem serviria para que as suspeitas não recaíssem sobre porteiros do prédio. Mas o plano falhou, e a polícia sabe que um deles teria dado informações aos bandidos sobre quantos apartamentos vagariam na Páscoa. Uma falsa viatura da Polícia Civil usada pelo grupo também foi apreendida.

Segundo o delegado Nelson Silveira Guimarães, diretor do Deic, os bandidos podem ter participado de mais assaltos. Eles estariam envolvidos na morte de um PM durante o roubo de um caixa eletrônico em Santo André, em julho de 2011.

A quadrilha tinha como hábito a violência. Espancamento, amordaçamento das vítimas e o uso de algemas para prendê-las estavam entre os métodos. Um fuzil, duas submetralhadoras, três coletes à prova de balas, três pistolas, cinco algemas, distintivos policiais e um macaco hidráulico estavam com o bando. "Havia até um especialista em abrir fechaduras de chave tetra. Pretendiam ficar quatro horas no prédio", disse Guimarães.

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