Polícia prende acusados de matar menino em SP

Investigadores descobriram que foi um adolescente o autor do disparo que matou Brayan, de 5 anos; três ou quatro bandidos estão foragidos

DIEGO ZANCHETTA, MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2013 | 02h07

A polícia prendeu dois homens acusados de participar do bando que matou o menino Brayan Yanarico Capcha, de 5 anos, durante um assalto. O primeiro a ser detido foi Paulo Henrique Martins, de 19 anos, o Paulinho. Depois dele, os investigadores prenderam Felipe dos Santos Lima, de 18 anos, conhecido como Tripa. Um adolescente, que está foragido, foi apontado por eles como o autor do disparo que matou o menino.

"Acreditamos que mais três ou quatro criminosos participaram da ação", disse o delegado Antônio Mestre Junior, titular da 8.ª Delegacia Seccional (responsável pela região de São Mateus). O bando composto por no mínimo cinco assaltantes invadiu à 0h30 de sexta-feira a casa em que moravam duas famílias de bolivianos em São Mateus, na zona leste de São Paulo.

Queriam o dinheiro guardado pelos bolivianos, que tralhavam em pequenas confecções. Brayan estava chorando, o que irritou os bandidos. Mandaram sua mãe, Veronica Capcha Mamani, de 24 anos, fazê-lo parar. Também exigiram mais dinheir0. A mãe apanhou o menino no colo. A criança implorou aos bandidos: "Não quero morrer, não matem minha mãe". Veronica ainda abriu a carteira e mostrou que não tinha mais nada. E o bandido de 17 anos resolveu apertar o gatilho e matar.

A crueldade dos criminosos causou indignação entre os policiais. Mais de 40 equipes da 8.ª Delegacia Seccional e da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) vasculharam o bairro atrás dos bandidos. Os investigadores descobriram que os criminosos já haviam assaltado outros bolivianos.

No fim da tarde de anteontem, os homens do Deic e da 8.ª Delegacia Seccional prenderam Paulinho. Com ele os investigadores encontraram R$ 900 - um quinto do que foi roubado pelos bandidos na casa dos pais de Brayan.

Reconhecimento. Além de apreender o dinheiro, os policiais submeteram o acusado a reconhecimento. Testemunhas apontaram-no como um dos autores do delito. Embora estivesse com parte do rosto coberto, as vítimas disseram não esquecer o olhar do bandido.

Ao mesmo tempo em que interrogavam Paulinho, os investigadores continuaram a caçada aos demais acusados. Eles haviam estado na casa de Tripa anteontem, mas o jovem havia escapado pouco antes da chegada dos policiais do Deic.

Na tarde de ontem, o acusado foi finalmente encontrado. "Chegamos até ele por meio de denúncia anônima", afirmou o delegado. Os acusados foram interrogados. "Eles estão aqui com um papo para boi dormir."

A Justiça decretou a prisão temporária dos acusados. A polícia apura agora outros roubos que os acusados teriam praticado na região. Suspeita-se de que eles já teriam assaltado os bolivianos que moram no bairro pelo menos outras três vezes.

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