Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Polícia prende 7º suspeito de participar do sequestro da sogra do chefe da F1

Homem foi delatado por integrante do grupo que vigiava o cativeiro de Aparecida Palmeira, que ficou 9 dias sequestrada

O Estado de S. Paulo

19 Agosto 2016 | 18h48

SÃO PAULO - A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira, 18, o último suspeito de envolvimento no sequestro da sogra do chefe da Fórmula 1, Bernie Ecclestone. Aparecida Schunk Flosi Palmeira, de 67 anos, foi sequestrada em casa, em Interlagos, na zona sul de São Paulo, no dia 22 de julho, e ficou nove dias no cativeiro, até ser libertada pela polícia, em um imóvel em Cotia, na Grande São Paulo. 

O homem - sétimo suspeito detido no caso - foi encontrado em casa, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Ele foi delatado pelo integrante do grupo que vigiava o cativeiro de Aparecida.

O vigilante do cativeiro já havia levado, no dia 31 de julho, à localização de outros dois envolvidos no crime - um deles, o piloto de helicóptero Jorge Eurico da Silva Faria, trabalhou para Ecclestone em eventos da Fórmula 1 quando o empresário vinha ao Brasil. 

Em 4 de agosto, um quarto suspeito - que mantinha contato com o mandante do crime e dirigiu o carro que levou Aparecida ao cativeiro - se apresentou à polícia. Policiais ainda localizaram, no dia 10 deste mês, dois homens (pai e filho) suspeitos de envolvimento no crime. Eles confessaram a participação no sequestro e a Justiça decretou prisão temporária dos dois. 

Com as detenções, a Divisão Antissequestro (DAS) do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) informou que foram concluídas as investigações sobre o caso. 

O sequestro. Aparecida é mãe de Fabiana Ecclestone, com quem Bernie se casou em agosto de 2012. Ela trabalhou em uma empresa responsável pelo marketing do GP Brasil de Fórmula 1, onde conheceu o empresário em 2009. Hoje, o casal vive em Londres. Aparecida era costureira e mora na zona sul, perto do Autódromo de Interlagos, onde é realizado o GP Brasil.

Os sequestradores mantinham contato com família apenas por e-mail. Os bandidos exigiam € 168 milhões de resgate. Parte teria de ser paga em real (R$ 5 milhões) e outra em dólares (US$ 5 milhões). Segundo a revista Forbes, Bernie Ecclestone tem uma fortuna avaliada em US$ 3,1 bilhões, cerca de R$ 10 bilhões. Caso a família concordasse em pagar o resgate, ele seria o maior já pago na história dos sequestros no Brasil.

A ação dos bandidos começou quando dois homens invadiram a casa de Aparecida, na Rua João Teizen Sobrinho, em Interlagos. Eram 13h30. Os bandidos tocaram o interfone e anunciaram que estavam ali para fazer a entrega de móveis que a sogra de Bernie aguardava.

De fato, Aparecida esperava receber os produtos, que seriam entregues em sua casa. Por isso, ela se adiantou às duas funcionárias da casa e foi abrir o portão. Acabou dominada pelos criminosos.

Além dela, os bandidos tiveram de conter as duas empregadas domésticas da família: Maria das Graças Gomes de Matos, de 34 anos, e Gilvaneide Rosa de Oliveira, de 36 anos. Os criminosos, então, disseram que se tratava de uma sequestro e afirmaram que a ação era uma “fita dada”. Ou seja, que alguém lhes havia passado informações detalhadas sobre a vítima.

Pistas. A descrição dos bandidos foi a primeira pista da polícia. Um deles era um homem branco, que parecia ter entre 30 e 35 anos. Ele media, segundo as testemunhas, cerca de 1,75 metro de altura e estava vestindo uma calça jeans e um moletom cinza. Usava ainda um bigode ralo, era magro e tinha na mão direita um sol colorido tatuado. O outro criminoso tinha a pele parda e aparentava entre 18 e 20 anos. Ele vestia calça preta e blusa vermelha.

Segundo as empregadas contaram aos homens da DAS, os criminosos entraram na casa pela cozinha. De Maria das Graças, os bandidos levaram o telefone celular. Eles mantiveram as duas em um cômodo da casa. Os bandidos obrigaram então Aparecida a entrar no Fiesta da família e fugiram com a vítima.

O carro foi encontrado mais tarde pela polícia na Rodovia Raposo Tavares, na região do Rio Pequeno, na zona oeste. A perícia foi chamada para examinar o veículo em busca de provas contra os criminosos. A família avisou a polícia. Primeiro por meio do 102.º Distrito Policial, a delegacia do bairro, que registrou o caso. Depois, foi a vez da DAS ser informada.

Desde então, o caso passou a ser investigado pela Divisão Antissequestro. À família, os sequestradores exigiram que a imprensa e a polícia fossem mantidos afastados do caso. Policiais da DAS estiveram na casa da família e tentaram obter as imagens das câmeras de segurança da casa - um sistema grava imagens internas e externas do imóvel. A família, no entanto, não dispunha da senha para entregar as imagens aos policiais.

Quando a polícia tentava obter acesso às imagens, a família recebeu a primeira mensagem dos bandidos. Por meio de um e-mail, eles fizeram o pedido de resgate. A polícia começou a rastrear o e-mail para tentar localizar os criminosos. Além disso, obteve as imagens das câmeras.

Prova de vida. Para a DAS, era quase certa a participação de algum conhecido da família ou ex-funcionários da vítima. Teria sido essa pessoa quem entregou aos criminosos as informações sobre a encomenda dos móveis na casa de Aparecida.

As negociações dos sequestradores com a família prosseguiram. A família exigiu que uma prova de que Aparecida estava viva lhe fosse enviada pelos bandidos. Também informou que não tinha o dinheiro exigido pelos bandidos como resgate e pediu que o valor fosse reduzido.

Durante esse tempo, os policiais conseguiram identificar três suspeitos do crime e localizar o cativeiro. 

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