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Polícia pede prisão temporária de pai e madrasta de Isabella

A garota de 5 anos morreu no domingo, depois de ser jogada da janela do apartamento do pai, em São Paulo

Carina Flosi, Jornal da Tarde

02 de abril de 2008 | 16h02

A Polícia pediu, nesta quarta-feira, 2, a prisão temporária do consultor jurídico Alexandre Nardoni, de 29 anos, e de sua mulher Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 24 anos. Com essa decisão, o delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º Distrito Policial, passa a considerar os dois como suspeitos de assasssinar a garota Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos. A menina morreu no domingo  (veja o que se sabe até agora), depois de ser arremessada da janela do apartamento onde seu pai morava com a mulher e outros dois filhos, do segundo casamento, na Vila Isolina Mazzei, na zona norte de São Paulo.  A mãe da garota, a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 23 anos, prestou depoimento nesta quarta-feira. Logo depois de ser ouvida pelo delegado, a mulher alegou que não tinha nada a declarar. "Só quero que seja feita justiça", afirmou amparada pelo namorado e acompanhada dos pais. A polícia acredita que a garota morreu depois de ser jogada da janela do apartamento em que o pai da garota morava com sua atual mulher e os filhos do segundo casamento.    Na terça-feira, o delegado pediu ao Corpo de Bombeiros e à PM os registros das ligações feitas pelo casal e por moradores do prédio após a queda da menina. Tudo o que a polícia fez foi investigar o casal.  A polícia tem se ocupado em colher provas periciais para reforçar o inquérito. Os peritos criminais irão voltar ao apartamento. Na busca por novos indícios, terão a ajuda de reagentes químicos. Os policiais querem verificar se há outros vestígios de sangue no lugar e também nos dois carros da família. Depoimentos Na terça, seis pessoas prestaram depoimento no 9º Distrito (Carandiru), onde o caso está sendo investigado. Dois vizinhos do casal disseram ter ouvido gritos de "Pára, pai! Pára, pai!" momentos antes de o corpo de Isabella ser encontrado. "Eles não souberam dizer se a voz era da criança", explicou o delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º Distrito. "Mas o tom dos gritos era de que o tal pai fazia algo errado." Os advogados de Nardoni, Ricardo Martins e Rogério de Souza, contestaram a versão apresentada pelas testemunhas. "A fala é interpretativa. A pessoa que está em situação de risco fala 'Pára!', 'Pára!', e chama o pai. 'Pai!', 'Pára!', 'Pai!'", disse aos berros Martins. O advogado afirmou também que Nardoni e a atual mulher, com quem tem dois filhos (um de 3 anos e outro de 10 meses), estão abalados com a morte de Isabella.  "Todos são inocentes e irão provar. Dias antes do fato, Ana Carolina perdeu as chaves do apartamento. Posso provar que ela perdeu as chaves porque tenho uma testemunha que vai aparecer no momento oportuno", disse Martins.Outras quatro pessoas ouvidas - moradores do prédio em que Nardoni e a mulher moraram por dois anos e meio antes de se mudarem para o atual edifício - contaram que o casal brigava constantemente.  Peritos do Instituto Médico-Legal (IML) ouvidos pelo Estado disseram que há sinais no corpo da menina Isabella que sugerem uma tentativa de asfixia. Uma mancha no pulmão e no coração, dizem, é "compatível com sufocamento pela boca ou narina ou ainda esganadura". O fato de o exame de raio X ter mostrado apenas uma fratura na mão da garota não surpreendeu os legistas. Ossos de crianças costumam ser mais maleáveis do que os de adultos. Além disso, o gramado em que Isabella caiu, diante da portaria do edifício, pode ter amortecido a queda. A menina estava viva quando a fratura ocorreu. Algumas lesões na menina também são conflitantes com a versão do pai. "Há um hematoma na cabeça não compatível com a queda." Um pedaço da rede de proteção do quarto de onde Isabella caiu foi enviado ao IC. Os peritos querem saber se Isabella resistiu ao ser arremessada ou se estava inconsciente. Uma faca foi apreendida, pois se suspeita de que ela foi usada para cortar a tela.

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