Polícia paulista põe a tropa em alerta para novos ataques

Cartaz em quartéis pede atenção e destaca nº de policiais mortos; base na zona norte usa cones para proteger entrada

CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h02

A onda de assassinatos de policiais militares, principalmente durante a folga, fez o comando da corporação espalhar cartazes nos quartéis de São Paulo para alertar a tropa sobre os riscos de ataque e recomendar cautela nos bicos. O aviso tem circulado há três dias e mostra dados sobre PMs mortos à paisana e em serviço. A reportagem esteve em quatro batalhões da capital e encontrou o cartaz afixado bem na entrada dos prédios.

No panfleto consta que 54 policiais foram executados fora do trabalho. O número já subiu para 55 desde anteontem, quando o soldado André Perez de Carvalho, de 40 anos, levou vários tiros de fuzil na frente de casa, na Avenida Corifeu de Azevedo Marques, no Butantã, zona oeste. A vítima estava indo para o trabalho no quartel das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Perez morreu a caminho do hospital.

"O clima não está nada bom. A gente está apreensivo porque virou alvo. A sensação é de que está piorando", revela um soldado que trabalha na região de Perdizes, zona oeste. O PM conta que desde junho já estariam sendo orientados por seus comandantes a andar de prontidão nas ruas.

Uma policial feminina diz que ela e os colegas têm evitado as conversas na porta do batalhão. "A situação está parecida com a dos ataques de 2006 (do Primeiro Comando da Capital). Mas só esses informes não me deixam tranquila", lamentou. "Eu tenho filha pequena. Quero voltar para casa."

Cones. No Comando de Policiamento Metropolitano 3, na Avenida Ataliba Leonel, em Santana, zona norte, uma das pistas da via foi isolada por quatro cones. De acordo com policiais dali, a medida visa a proteger quem trabalha no local. Em nota, o Centro de Comunicação da corporação confirmou o alerta e disse que "as orientações são parte da rotina de instrução do policial. São abordados assuntos que dizem respeito ao profissional em sua atuação." A PM diz que o comandante, Roberval Franca, não falaria sobre o assunto.

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