Polícia paraguaia sabota ação brasileira para prender líderes do PCC

Segundo o jornal ABC Color, a força-tarefa brasileira comunicou à polícia paraguaia sobre a operação, mas agentes conduziram os policiais brasileiros a uma casa desabitada

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2017 | 17h22

SOROCABA - Uma operação das polícias civil e militar do Brasil para prender integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), suspeitos de participar do assalto a um carro-forte da empresa Brinks, na terça-feira, 6, teria sido boicotada pela polícia paraguaia, segundo o jornal ABC Color, daquele país. Conforme destaca o jornal na edição desta quinta, 8, após o ataque, as autoridades brasileiras localizaram um braço do PCC na cidade paraguaia de Capitán Bado, na fronteira com o Brasil. Os criminosos tinham cruzado a fronteira depois de explodir o carro-forte, em uma rodovia de Amambaí (MS), e roubar cerca de R$ 700 mil. 

De acordo com o jornal, a força-tarefa brasileira comunicou a operação à polícia paraguaia, mas os agentes do 4º Comissariado de Capitán Bado conduziram os policiais brasileiros a uma casa que estava desabitada havia mais de um ano. A polícia brasileira sabia a localização exata do imóvel onde, provavelmente, se escondiam os criminosos, mas nada pode fazer para chegar ao local, pois estavam acompanhados dos agentes paraguaios. 

A Polícia Civil de Amambaí informou que a ação ainda está sob sigilo e não poderia dar informações. O delegado da Polícia Civil Mikail Alessandro Gouvea Faria, que investiga o assalto, foi procurado pela reportagem, mas não havia dado retorno até o fim da tarde.

Execução 

A polícia do Mato Grosso do Sul investiga, junto com as autoridades paraguaias, se as irmãs Fabiana, de 23 anos, e Adriana Aguayo Baez, de 28, sequestradas e executadas com requintes de crueldade, na madrugada desta quinta-feira, 8, em Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil, foram vítimas da disputa pelo controle do tráfico na região. Fabiana era companheira do traficante Juliano Pereira, de 39 anos, integrante do PCC e suposto responsável pelo ingresso de drogas do Paraguai no Brasil. Ele está preso no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. O casal havia rompido o relacionamento e o preso a havia ameaçado.

Fabiana e a irmã foram sequestradas por homens armados que invadiram a casa, no bairro Obreiro, em Pedro Juan, e mataram o cachorro a tiros. Os corpos foram encontrados sem as cabeças, na caçamba de uma caminhoneta incendiada, em uma vicinal, próximo da fronteira com Ponta Porã (MS). No veículo estava a motosserra usada para decapitar as vítimas. As cabeças foram encontradas num saco plástico, em uma área próxima.

A polícia já sabe que a ordem de execução partiu do presídio brasileiro. Uma das razões do rompimento entre Juliano e Fabiana seria uma divergência sobre carregamentos de drogas levadas por ela e a irmã ao Brasil, no início de maio, a mando do PCC. Na casa das irmãs, a polícia apreendeu uma caminhonete Toyota Hillux com pacotes de maconha.

Estrutura 

A ação do PCC na fronteira do Brasil com o Paraguai se intensificou depois da morte do megatraficante Jorge Rafaat Toumani, o "rei da fronteira", em uma emboscada, em Pedro Juan Caballero, em junho de 2016. A eliminação de Rafaat e de seus colaboradores permitiu à facção montar uma estrutura para controlar o tráfico e realizar assaltos na região. O PCC é suspeito de ter organizado o mega-assalto à sede da empresa de valores Prosegur, em Ciudad del Este, no lado paraguaio da fronteira, em abril deste ano. Também estaria envolvido na explosão do carro-forte da Brinks. 

Nesta quarta-feira, oito brasileiros suspeitos de integrar a facção - todos jovens, com idades entre 18 e 35 anos - foram presos do outro lado da fronteira, em Pedro Juan Caballero. Eles estavam em uma casa no bairro Maria Vitória e tinham a incumbência de estabelecer uma base no local. Foram apreendidos quatro veículos, pistolas e celulares. Dias antes, dois integrantes do PCC foram presos em Coronel Sapucaia, no lado brasileiro, após serem flagrados em interceptações telefônicas planejando ataques a policiais na linha de fronteira. Um dos presos, Antonio Pedro da Silva, de 45 anos, está condenado a 45 anos de prisão por homicídio e assaltos.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.