Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Polícia ocupa 9 favelas no centro do Rio

Sem um tiro, operação que teve apoio de fuzileiros e blindados da Marinha é o primeiro passo para instalação de Polícia Pacificadora

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2011 | 00h00

Sem troca de tiros, mais de 800 homens das Polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal e fuzileiros navais ocuparam ontem, em menos de 30 minutos, nove favelas da zona norte e no centro do Rio. A ação contou com 17 blindados da Marinha. Foi o primeiro passo para a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nessas regiões.

O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse que o fundamental é a "retomada do território sem aumentar as estatísticas de bala perdida, autos de resistência e homicídios". Beltrame foi evasivo ao falar sobre uma eventual ocupação da Favela da Rocinha, em São Conrado, principal fornecedora de entorpecentes para a zona sul. "A Rocinha está no nosso planejamento", disse.

Pela primeira vez, o secretário afirmou que o modelo de ocupações de favelas do Rio pode ser levado a outros Estados. "Tenho certeza que, daqui, nós podemos levar essas ações para outros Estados e, quem sabe, diminuir a criminalidade em todo o País."

Nenhum traficante foi preso ontem. Segundo Beltrame, os fugitivos que viviam nos morros da região serão procurados em outras comunidades. "Nos comprometemos a seguir no encalço deles, como temos feito. Não vamos entrar de forma atabalhoada em qualquer lugar porque fulano está lá. Temos compromisso com vidas humanas", disse.

A ocupação foi anunciada pelo governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, depois que, em 24 de janeiro, traficantes metralharam as vidraças da Prefeitura do Rio e quase derrubaram o helicóptero da TV Globo, em represália a uma incursão da Polícia Civil. Além do São Carlos, foram ocupadas as Favelas do Querosene, Zinco e Mineira, no Estácio, e os Morros da Coroa, Prazeres, Fallet, Fogueteiro, Escondidinho, em Santa Teresa. A secretaria estima que 26 mil pessoas moram ali e mais de 500 mil habitam os 17 bairros no entorno.

A ação começou às 6 horas. Homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) embarcados nos blindados da Marinha não encontraram dificuldades. Poucas barricadas do tráfico estavam no caminho. Em um dos poucos incidentes, no Morro do São Carlos, um blindado da Marinha esmagou o Passat ano 1982 do eletricista Sebastião da Silva Machado. "O carro estava na calçada. Foi barbeiragem. Gastei R$ 1,3 mil na reforma do veículo." A Marinha informou que reclamações devem ser feitas às Polícias Civil e Militar.

Nos Morros dos Prazeres e da Mineira, PMs acharam pichações do tráfico com ofensas à UPP. No Morro da Mineira, os traficantes escreveram "Vamos voltar. Assinado Bonde do Coelho." Eles se referem ao traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, chefe do tráfico na favela e um dos principais abastecedores de maconha e cocaína da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). Alguns moradores diziam que "a polícia não ia achar ninguém, porque todos foram para a Rocinha".

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