Reprodução Google Maps
Reprodução Google Maps

Polícia não sabe de onde partiu bala que feriu bebê em escola

Região Metropolitana do Rio teve 24 tiroteios por dia este ano, segundo Fogo Cruzado

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2018 | 13h07

RIO - O Colégio São Vicente de Paulo, no Cosme Velho, zona sul do Rio, onde o bebê Caique de Carvalho, de 6 meses, foi baleado no ombro, na segunda-feira, 14, informou que a bala não teve a origem detectada. A escola divulgou que não houve registro de ações envolvendo troca de tiros em seu entorno, segundo lhe explicou a polícia. A Região Metropolitana registrou média de 24,2 tiroteios por dia de janeiro até hoje, de acordo com o serviço de compilação de dados Fogo Cruzado.

O bebê estava no colo da mãe, que aguardava o filho mais velho sair da aula de futebol quando foi surpreendida pelo tiro. Caique está internado no Centro Pediátrico da Lagoa. Passou a noite bem e será submetido a uma cirurgia para retirada do fragmento de bala, alojado no ombro, às 17 horas desta terça-feira, 15. O quadro é estável.

A polícia esteve no colégio e no hospital para colher depoimentos. A reportagem esteve na clínica e a família, muito abalada, não quis dar entrevista.

Ainda não se sabe de qual tipo de armamento partiu o projétil. O São Vicente divulgou nota informando que está em atividade há 59 anos e que "foi abruptamente inserido no mapa da violência que assola o Estado do Rio de Janeiro" com o caso. A instituição expressou "profunda tristeza" com a situação e se solidarizou com a família de Caique. 

Na nota pública, pediu que a população não se deixe levar pelo "desespero e pela falta de esperança" gerados pela violência. "Como é de conhecimento geral, estamos imersos numa sociedade que tem vivido em meio a polarizações e à violência generalizada, com tiroteios espalhados por diversos locais, roubos e furtos em proporção imensurável, o que nos leva a evocar as palavras de São Vicente de Paulo, patrono dessa casa: 'É preciso passar do amor afetivo ao amor efetivo'."

Caique foi o 15º caso de criança baleada este ano na Região Metropolitana do Rio, divulgou o Fogo Cruzado, serviço que analisa dados da violência armada e os disponibiliza por meio de um aplicativo e de um mapa colaborativo. Conforme esses números, entre 1º de janeiro e as 11 horas desta terça-feira, foram registrados 3269 tiroteios ou disparos de armas de fogo - uma média de 24,2 por dia.

Foram contabilizados 596 mortos e 505 feridos no período. Em 484 casos, havia presença policial (operações, ações, assaltos a agentes, por exemplo).

Na tarde de segunda-feira, uma bala perdida atingiu um apartamento de um prédio que fica na Praia de Botafogo, na zona sul. Ninguém se feriu. O morador notou um buraco feito no vidro da janela da frente, que tem vista livre para a praia, e fez um vídeo. Não se sabe de onde partiu a bala. A reportagem do Estado presenciou disparos feitos por um segurança contra um suspeito numa motocicleta, por volta das 14 horas de segunda-feira, e é possível que um deles tenha atingido a janela.

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