Polícia mineira negocia depoimento

Data para goleiro ser ouvido depende de resultado de DNA do sangue achado na Range Rover; hoje polícia deve ouvir a mulher dele

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2010 | 00h00

BELO HORIZONTE

A Polícia Civil mineira já reuniu os subsídios que considerava necessários para ouvir o goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, no inquérito que apura o desaparecimento de Eliza Samudio. O chefe do Departamento de Investigação (DI), Edson Moreira, informou ontem que iniciou uma negociação com os advogados do atleta para que ele preste depoimento sexta-feira ou na próxima semana.

O interrogatório deverá ser feito em data próxima à divulgação do resultado do exame de DNA no sangue encontrado na caminhonete Range Rover do goleiro, apreendida no dia 8 de junho.

Bruno é considerado o suspeito número 1 no inquérito que apura o sumiço da jovem, sua ex-amante, com quem teria um filho de 4 meses. Eliza cobrava na Justiça do Rio o reconhecimento da paternidade da criança.

Intimação. A partir de sexta-feira, os delegados responsáveis pelo caso pretendem ouvir também Luiz Henrique Romão, o Macarrão - braço direito de Bruno e um dos principais investigados -, sua mulher e dois primos do jogador. Macarrão deverá ser ouvido na segunda, segundo seu advogado, Ércio Quaresma. "Estamos acertando o melhor momento", disse o delegado, para quem o contato já feito "praticamente é uma intimação".

A disposição da polícia em ouvir o goleiro e outros suspeitos principais revela que a investigação avançou satisfatoriamente, apesar da não localização de um eventual corpo. Conforme depoimentos, o goleiro esteve em seu sítio entre os dias 6 e 10 do mês passado. Ele afirmou que não via Eliza havia dois meses.

A mulher do goleiro, Dayanne Souza, de 23 anos, deverá depor novamente hoje, segundo Quaresma. Dayanne, que chegou a ser presa em flagrante por subtração de incapaz ao tentar esconder o bebê após o cerco policial, ganhou o direito de responder em liberdade. A polícia, contudo, quer esclarecer contradições de seu depoimento.

Ontem, Moreira confirmou que pessoas que estiveram no sítio de Bruno em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, disseram ter visto Dayanne no local no período investigado, nos dias 5 e 6 de junho. Em depoimento anterior, ela havia alegado que chegou ao sítio apenas no dia 23 e não confirmou a presença de Eliza.

DNA. Sônia de Fátima Moura, de 44 anos, mãe de Eliza, era esperada à noite em Belo Horizonte para ceder amostra de saliva. Vestígios encontrados na Range Rover foram confrontados com o material genético recolhido do pai da jovem, Luiz Carlos Samudio, e do bebê.

O Corpo de Bombeiros encerrou na tarde de ontem, sem sucesso, as buscas pelo suposto corpo de Eliza na Lagoa Suja, em Ribeirão das Neves. Os policiais vasculharam o local após uma denúncia anônima, que dizia que o corpo teria sido jogado no local.

Bebê

Entre os indícios do envolvimento de Bruno e outros suspeitos no desaparecimento está a tentativa de ocultação do bebê de 4 meses de Eliza, que a jovem alega ser do goleiro.

Sinais

Vestígios de sangue foram encontrados no carro do goleiro, além de sandálias e óculos escuros reconhecidos por amigas como sendo da jovem. Roupas femininas foram apreendidas no sítio.

Eliza no sítio

Pelo menos duas testemunhas confirmaram a presença de Eliza no sítio de Bruno. No dia 9, a estudante ligou para uma amiga de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Laudo

Eliza acusava o goleiro de ter tentado forçar um aborto. A contra-prova do exame de sua urina aponta presença de piperidina - substância achada em alguns medicamentos abortivos.

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