Polícia Militar mantém ocupação na favela de Paraisópolis

Após confronto, não houve incidentes durante a madrugada; cerco segue por tempo indeterminado

Daniela do Canto, estadao.com.br

03 Fevereiro 2009 | 07h32

A madrugada desta terça-feira, 3, foi tranquila na Favela Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. Depois do confronto que deixou pelo menos seis pessoas feridas - entre elas quatro policiais e dois moradores - a Polícia Militar manteve a ocupação do local. De acordo com a corporação, 221 soldados, com 38 viaturas do policiamento e outras 22 da Tropa da Choque, permaneceram na favela durante toda a madrugada. A ocupação deve ficar no local por tempo indeterminado.      Helicópteros Águia sobrevoavam o local até o início desta manhã. Um coquetel molotov - espécie de bomba caseira - foi encontrado por policiais dentro da favela durante a madrugada. As carcaças dos carros que foram queimados durante o confronto estavam sendo removidas das ruas durante a manhã.     Veja também: Ao menos 6 ficaram feridos no confronto em Paraisópolis Polícia relaciona morte de traficante a protesto em favela 2ª maior favela de SP, Paraisópolis passa por mudança  TV Estadão - O confronto com a PM  Galeria de fotos do confronto em Paraisópolis    O secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, determinou à Polícia Militar que mantenha os acessos da favela ocupados por tempo indeterminado. "Esses bandidos ficarão cercados e serão presos, senão hoje (ontem) nos próximos dias", afirmou Marzagão. "A saturação da área é uma forma de proteger a população de bem e, ao mesmo tempo, dar uma resposta aos criminosos. Vamos agir dentro da lei."    Marzagão preferiu não especular sobre os motivos da manifestação. "Não me parece que sejam os moradores da favela. A maioria que vive ali é de gente de bem, que não atira na polícia", disse. Para Marzagão, a ação foi preparada com antecedência. "É importante que se diga que, aqui em São Paulo, não há lugar impenetrável para a polícia. É lamentável que tenhamos três homens feridos, mas faz parte da construção de uma sociedade civilizada", concluiu ele, antes de sobrevoar a favela no fim da noite.   No final da noite, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que a Polícia Militar já havia liberado tráfego de veículos nas ruas Doutor Francisco Tomas de Carvalho e Doutor Flávio Américo Maurano, que fazem a ligação entre as avenidas Morumbi e Giovanni Gronchi, as principais da região. Todas as linhas de ônibus que atendem as ruas do entorno da favela operavam normalmente pela manhã. Por causa do confronto, muitos ônibus não tiveram como passar pelo local na segunda.     Os moradores entraram em confronto com policiais militares na Favela Paraisópolis no fim da tarde de segunda. Eles montaram barricadas, destruíram e atearam fogo em diversos veículos e pedaços de madeira e depredaram estabelecimentos. Quando a Polícia Militar chegou para controlar a manifestação, houve um princípio de confronto. Segundo afirmou o coronel da PM Danilo Antão em entrevista à GloboNews, o motivo dos protestos foi a morte de um morador da comunidade, que teria sido baleado por policiais militares na noite de domingo, durante uma ação policial.   A PM desfez as barricadas montadas nas vias da favela, entre elas a Rua Doutor Francisco Tomás de Carvalho. Nove pessoas foram presas - seis adultos e três menores. Destes últimos, uma menina, de idade não identificada. Todos foram encaminhados ao 89.º Distrito Policial, mas foram liberados em seguida.   Histórico   Já não é a primeira vez que a polícia ocupa a favela de Paraisópolis. Em agosto do ano passado, um grupo de 300 policiais passaram cerca de 10 horas na região, respondendo a uma demanda dos moradores do Morumbi por mais policiamento.   Nascida de um loteamento que, em 1921, formava um xadrez de quadras regulares, a Favela Paraisópolis tem atualmente cerca de 80 mil moradores, que habitam um emanharado de casas e barracos, na zona sul da capital paulista. O crescimento desordenado fez com que as ruas fossem ficando cada vez menores, conforme os imóveis iam avançado.   A comunidade, com uma área de aproximadamente 100 hectares, está localizada no meio do Morumbi, bairro nobre de São Paulo. Hoje, existem projetos de urbanização e habitação para 'transformar' o local em um bairro. Somente a segunda fase do projeto foi orçado em R$ 150 milhões para criar um plano viário na favela e a construção de unidades habitacionais.

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