AMANDA PEROBELLI/ESTADÃO
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Movimento por moradia ocupa oito prédios em SP

Ao menos quatro edifícios já foram desocupados, um deles após conflito com a polícia

Galeno Lima, especial para o Estado, e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2017 | 05h53

SÃO PAULO - Integrantes de movimentos por moradia popular ocuparam ao menos oito imóveis na madrugada de domingo, 15, para segunda-feira, 16, em São Paulo. Dos prédios, sete estão localizados na região central, em bairros como Consolação, Brás e Bom Retiro. De acordo com a Frente de Luta por Moradia (FLM), ao menos 620 pessoas participaram das ações, que reivindicam oportunidades de moradia popular na cidade.

Dentre os imóveis, quatro foram desocupados até o início da tarde para "garantir a segurança" dos ocupantes, de acordo com militantes. No caso de um edifício do número 601 da Avenida São João, teve relatos de conflito entre manifestantes e policiais. De acordo o FLN, militantes foram impedidos de deixar o local e crianças chegaram a ser atingidas por bombas de gás lacrimogêneo. Já Polícia Civil alegou, por meio de nota, que um segurança que trabalha no prédio foi "mantido como refém" e que dois objetos roubados teriam sido encontrados com os ocupantes. Ao menos três pessoas foram presas em flagrante e levados para o 2º Distrito Policial (Bom Retiro) por ameaça, sequestro, cárcere privado, dano, furto qualificado e receptação. 

No número 440 da Rua Augusta, na região central, um edifício do antigo Hotel Linson foi desocupado por volta das 12h50, cerca de 35 minutos após policiais militares e representantes do movimento entrarem para negociar a desocupação. Segundo o movimento, cerca de 50 adultos e 30 menores de idade estavam no local desde as duas horas da manhã. Não houve confronto durante a saída, que foi seguida por uma caminhada em direção à Praça Roosevelt.

O imóvel foi ocupado pelo Movimento de Moradia de Interesse Social (M. M. I. S.), que também fez a ocupação na Avenida São João e integra a programação do Outubro Vermelho. Segundo o movimento, o prédio estava desocupado, o que foi negado pela advogada do proprietário, Gabriela Levorin, que estaria fechado para hóspedes há dois anos, mas mantendo um espaço administrativo com expediente interno.

Dentre os manifestantes estava a vendedora ambulante Elisângela Neves, de 34 anos, acompanhada dos filhos de um, três e cinco anos. Vinda de Sorocaba aos 17 anos para estudar para o vestibular, ela está há dois anos vivendo em ocupações após ter perdido o auxílio-moradia. "Estamos na luta por uma moradia digna. Em vez de estudarem uma faculdade, tive de lutar por uma casa"

Já o aposentado Gilberto Alves da Fonseca, de 65 anos, mora em ocupações há seis anos e participou de movimentos semelhantes ao menos outras duas vezes. "A gente faz isso para pressionar os governantes. Com eles, a gente nunca tem diálogo", diz o idoso, que mora na rua após ter sido despejado de casa pela própria família. "Quem quer velho dentro de casa? Quem me acolheu foi a ocupação."

Imóveis ocupados, de acordo com o FLM:

  • Rua João Bricola, 67 – Centro
  • Rua Bento Guelfi, altura do nº 5.900 – Jardim Três Marias – Zona Leste
  • Rua Guaporé, 462 – Armênia – Centro
  • Rua Rodolfo Miranda, 350 – Bom Retiro
  • Rua dos Bandeirantes, 285 – Bom Retiro
  • Rua Augusta, 440 – Bela Vista
  • Rua Amaral Gurgel, 344 – Vila Buarque

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