Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Polícia Militar cumpre reintegração de posse do Portal do Povo

Terreno no Morumbi estava ocupado pelo MTST havia mais de um mês. A ação foi pacífica. Movimento disse que foi 'surpreendido'

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

28 Julho 2014 | 09h10

Atualizado às 20h58

SÃO PAULO - A Polícia Militar cumpriu, na manhã desta segunda-feira, 28, ordem judicial de reintegração de posse em um terreno no Morumbi, zona sul de São Paulo, que estava ocupado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) desde o dia 21 de junho. A ação aconteceu no terreno de 60 mil metros quadrados da construtora Even, conhecido como Portal do Povo.
Segundo o líder do MTST, Guilherme Boulos, a desocupação aconteceu três dias antes do prazo acordado entre a PM, o MTST e a juíza Monica Lima Pereira, do Foro do Butantã, que teria, no dia 17, prorrogado o despejo para o dia 31. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, porém, o acordo não foi descumprido, pois “a Justiça alongou o prazo até o dia 31”, não significando que a desocupação teria de ser feita somente no último dia do mês.

Em assembleia ao lado do terreno do Morumbi, na noite desta segunda, Boulos anunciou um grande ato nesta terça-feira, 29, às 15h, no centro. “É uma resposta à facada nas costas que deram no movimento”, afirmou. 

O MTST conseguiu o adiamento após ocupar e acampar por uma noite na área externa da Even. “Fomos surpreendidos. O movimento acreditou na palavra deles (da PM)”, disse Boulos, que acompanhou o ato policial com uma cópia do documento de deliberação da prorrogação, assinado pelo major da PM Ezequiel Morato.

Segundo Boulos, o movimento já estava planejando como desocupar o local dentro do prazo estabelecido. Por volta das 11 horas, boa parte dos muros do terreno já havia sido protegida com telhas de zinco para bloquear o espaço. A reintegração foi concluída ao meio-dia, após fechar a entrada principal. 
Os barracos foram derrubados - 200, segundo a Secretaria da Segurança Pública, e 3,9 mil, segundo o movimento. Caminhões retiraram os pertences dos ocupantes. Militantes que acampavam no terreno reclamaram que tiveram seus alimentos jogados no chão e pisoteados. E reclamaram que perderam todo o estoque de doações. “Só deu para pegar os refrigerantes”, lamentou o sem-teto Mateus Santos, de 19 anos.
Sem conflitos. A PM afirmou que não é a responsável pela remoção dos móveis ou retirada dos barracos, mas pela garantia de que a reintegração ocorresse sem conflitos. A corporação informou que havia cerca de 20 sem-teto dormindo no terreno quando os policiais chegaram e que os manifestantes ligaram para suas lideranças quando souberam da ação.
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Sobre o acordo, a corporação disse que apenas cumpriu mandado judicial. A Even, que contratou a empresa que remove os barracos e retira os móveis, disse que não houve ação truculenta.
Em nota, a Even afirmou que “reconhece que o País enfrenta um déficit habitacional e entende que a luta por moradia é legítima”, mas “refuta os métodos adotados pelo movimento”. / COLABOROU MÔNICA REOLOM

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