Polícia mata dois em meio a ataques em Santa Catarina

Vítimas eram suspeitas de planejar o assassinato de PMs após morte de comparsa anteontem, a 1ª desta onda de violência

DANIEL CARDOSO , ESPECIAL PARA O ESTADO , FLORIANÓPOLIS, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2012 | 02h04

A polícia elevou o grau de resposta aos ataques em Santa Catarina. Duas pessoas morreram às 23h de anteontem, em uma troca de tiros com a Polícia Militar, em Tijucas, uma das cidades que registraram atentados desde o início da semana. Suspeita-se que os dois homens estariam planejando o assassinato de policiais em retaliação à morte de um suposto comparsa, ocorrida em Itapema, na tarde de anteontem, logo após um ataque a ônibus. Desde segunda-feira, quando começaram os ataques, 43 pessoas envolvidas nos crimes foram presas, num total de 59 atentados.

Criminosos voltaram a atacar ontem. Por volta das 10h30, em São José, homens abordaram um ônibus, ordenaram aos passageiros deixarem o veículo e atearam fogo. Ninguém ficou ferido. Da noite de quinta até a madrugada de ontem, foram registrados incêndios em três ônibus e outros dois ficaram parcialmente queimados. Um carro também foi incendiado e a polícia investiga se o fogo que consumiu uma fábrica de cordas é resultado de algum atentado. As cidades que registraram ataques foram Florianópolis, São José, Tijucas e Navegantes.

Ontem, o comércio abriu normalmente. Além do temor de vivenciar algum atentado, os passageiros precisam encarar filas e ônibus lotados. A prefeitura optou em adotar horário de feriado, reduzindo a frota a 40%. "Tivemos que colocar ônibus extras para dar conta da demanda, porque hoje (ontem) as pessoas trabalharam normalmente", disse Elise Gaussmann, gerente de informações da Canasvieiras Transportes, empresa que já teve três ônibus incendiados.

"Esperamos que a polícia continue com as escoltas, mas é difícil priorizar as linhas que devem receber segurança. O nosso primeiro ataque ocorreu na comunidade do Lami, que sempre foi muito calma", afirmou Elise.

O aumento do número de policiais nas ruas para combater a onda de atentados que aflige Florianópolis desde o início da semana gerou um efeito colateral positivo. Segundo a percepção de equipes do Copom, serviço da Polícia Militar que registra ocorrências da população, o número de casos de veículos alvo de furto e roubo despencou.

Penitenciária. Foi anunciado ontem o nome do novo diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, de onde teria partido a ordem dos ataques e base da suposta facção Primeiro Grupo Catarinense (PGC). O agente Renato Fernandes Silva irá substituir Carlos Alves, que pediu afastamento.

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