Polícia investiga seis suspeitos de vandalismo em paralisação do Metrô

Um deles tem 38 anos e mora no Tatuapé; segundo delegado, grupo incitou pessoas a pularem nos trilhos

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2014 | 16h33

Atualizado às 17h41.

SÃO PAULO - A Polícia Civil informou nesta sexta-feira, 14, que investiga seis pessoas suspeitas de supostos atos de vandalismo durante a paralisação da Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo, na semana passada. Um segurança do Metrô afirmou, em depoimento, ter reconhecido um dos supostos agressores durante tumulto na Estação Sé.

O suspeito tem 38 anos e vestia a camisa do São Paulo. Ele, que nega a acusação, foi ouvido nesta sexta-feira pelo delegado Osvaldo Nico Gonçalves, do Departamento de Capturas e Delegacias Especializadas (Decade), para um termo circunstanciado (registro de ocorrência de menor potencial ofensivo) e liberado em seguida. A identificação dos suspeitos foi feita por meio de imagens de circuito interno de segurança do metrô e por imagens divulgadas em jornais.

No inquérito, um segurança do Metrô afirmou que o suposto vândalo desceu nos trilhos da Sé, no sentido Corinthians-Itaquera, e passou "a provocar e ofender os agentes de seguranças, xingando e pronunciando palavrões 'urubu do c...', 'filhos da p...', 'que isso é culpa de vocês'".

Fotografias anexadas ao inquérito também mostram um homem com um extintor de incêndio sendo acionado na direção dos trilhos.

"A polícia identificou duas pessoas, uma delas teve o reconhecimento 100% positivo pelo pessal da guarda do Metrô, em que reconhecem a pessoa insuflando as pessoas a entrar na via e agredir o pessoal da guarda", disse Gonçalves.

Entretanto, apenas um dos suspeitos pode ter apertado um botão de segurança, o que teria provocado a paralisação do sistema. Essa é a hipótese defendida pelo Metrô e pelo governo do Estado. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, levantaram a suspeita de uma "ação orquestrada" na paralisação.

O Sindicato dos Metroviários rechaça essa versão. Usuários ouvidos pela reportagem também disseram que os botões dos trens só foram apertados porque as composições estavam superlotadas, em um dia quente, e não havia informações de quando continuariam seguindo viagem -- os trens ficaram parados nos túneis depois que a porta de um deles travou na Sé.

O delegado Gonçalves afirmou que "não está descartada uma ação orquestrada". "Isso está sendo investigado e apurado."

Imagens de vídeo do circuito interno do Metrô mostram ainda um grande grupo de pessoas indo da Estação Sé para a Estação Pedro 2.º pelos trilhos e pela passarela de emergência, em um momento em que nenhum trem circulava no trecho e a via estava sem energia elétrica. Em determinada hora, algumas pessoas batem e chutam uma placa de sinalização da Estação Sé.

Tumulto. A circulação de trens da Linha 3-Vermelha do Metrô foi interrompida no dia 4 de fevereiro após falha nas portas de um dos trens da linha. A confusão paralisou o ramal em dez das 18 estações, das 18h19 até 23h22. Por causa do calor e da superlotação, usuários que esperavam mais de 20 minutos para seguir viagem acionaram os botões de emergência para abertura de portas de sete composições diferentes. Houve tumulto e pânico entre os passageiros.

Na confusão, seguranças do Metrô agrediram passageiros na Estação Sé. Reforço policial foi solicitado pela direção da empresa. Milhares de usuários tiveram de caminhar pelos corredores estreitos ao lado dos trilhos. Na Sé, passageiros foram socorridos pelos bombeiros.

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