Luis Cleber/Estadão
Luis Cleber/Estadão

Polícia investiga se Joaquim recebeu dose em excesso de insulina

Corpo de garoto foi enterrado na tarde desta segunda-feira em São Joaquim da Barra; mãe e padrasto estão presos

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

11 Novembro 2013 | 15h22

RIBEIRÃO PRETO - Imagens de duas câmeras de segurança, o rastro seguido por um cão farejador e os depoimentos da mãe do menino Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, encontrado morto em um rio no domingo, após seis dias de desaparecimento, reforçam as suspeitas da Polícia Civil de Ribeirão Preto sobre o envolvimento do padrasto Guilherme Rayme Longo, de 28 anos, no crime. Ele e a mãe do menino, a psicóloga Natalia Mingone Ponte, de 29 anos, que também é investigada, estão presos.

O enterro do garoto nessa segunda-feira, 11, reuniu uma multidão em São Joaquim da Barra, cidade da família da mãe. A principal suspeita da polícia é uma possível superdosagem de insulina na criança, que era diabética. Em depoimento prestado após a prisão, no domingo, a mãe mudou sua versão sobre o relacionamento com Longo e revelou ameaças e conflitos envolvendo a criança.

Segundo ela afirmou ao delegado Paulo de Castro, o companheiro disse que chegou a se autoaplicar duas doses da insulina usada por Joaquim. Depois que a polícia requereu a entrega do aparelho usado para aplicar as doses na criança, o padrasto teria dito que usou pelo menos 30 doses do medicamento.

"Todas as provas levantadas até agora e os depoimentos da mãe, que depois de ser presa mudou sua versão sobre o relacionamento com o companheiro, reforçam as suspeitas sobre o casal", afirmou o promotor Marcus Túlio Nicolino. A afirmação do padrasto, de que se autoaplicou a insulina, pode ter sido feita para acobertar a superdosagem na criança.

Joaquim desapareceu de casa na noite do dia 4. O casal contou para a polícia, no dia do desaparecimento, que eles estavam na residência onde moram há quatro meses e que a mãe foi dormir e o padrasto ficou acordado para colocar a criança na cama. Longo, que é usuário de drogas, declarou que saiu na madrugada para comprar cocaína, ficou fora 40 minutos, não encontrou a droga e voltou para casa.

O corpo do menino foi encontrado no domingo, boiando no Rio Pardo, em Barretos. Exame comprovou que ele foi jogado no rio já sem vida, pois não havia água nos pulmões.

Depoimento. A mãe, que conheceu Longo em uma clínica de recuperação onde ele esteve internado, defendeu a inocência do companheiro até sua prisão, no domingo. Nos novos depoimentos, colhidos na noite do domingo e na tarde de ontem, Natália revelou que o casal brigava e que o companheiro via a criança como um empecilho na vida deles.

Natália afirmou que Longo tratava a criança como "um pedacinho do Arthur", referência ao pai biológico da criança, Arthur Paes. E que ela pensava em se separar, mas teria sofrido ameaças. "Se você for embora eu te acho até no inferno", teria dito o homem.

Um cão farejador da polícia identificou rastros do padrasto em um trajeto de sua casa até um ponto de um córrego que deságua no Rio Pardo, onde a polícia acredita que a criança tenha sido jogada. Imagens de duas câmeras mostram, sem identificar, uma pessoa passando pelo local com um pano escuro e voltando sem nada.

Natália e Longo estão em prisão temporária, decretada depois que o corpo foi encontrado. Havia hematomas no corpo do menino. "Não podemos atribuir sem o laudo esses hematomas a uma agressão. Eles podem ter ocorrido depois que o corpo foi jogado no rio", explica o delegado. O advogado de Longo, Antonio Carlos de Oliveira, não teve acesso ao inquérito policial e disse que não poderia comentar o caso.

 

 
Mais conteúdo sobre:
Caso Joaquim

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.