Polícia investiga roubos de laptops em hotéis de luxo

Executivos e economistas estão entre os alvos; criminosos agem bem vestidos, enquanto mulheres distraem vítimas e seguranças

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

A Polícia Civil investiga a ação de uma quadrilha especializada em furto e roubo de notebooks e bagagens nas recepções de hotéis de luxo em São Paulo. Parte do grupo foi presa no começo do mês após atacar um executivo em Pinheiros, na zona oeste. Policiais acreditam que outros integrantes do mesmo bando continuam agindo.

O alvo principal são empresários, economistas e administradores hospedados na cidade a negócios. Em pelo menos 80% dos ataques, segundo a polícia, os ladrões são estrangeiros - como bolivianos, peruanos e chilenos.

A reportagem levantou oito casos de furtos cometidos entre maio e agosto - seis ocorreram dentro dos hotéis e dois, na saída. Em um deles, na zona norte, quando um casal deixava o local uma mulher acenou dizendo que o pneu do carro deles estava furado. Assim que o casal parou, ela simulou passar mal. Enquanto isso, um comparsa levou as bagagens. Todos escaparam.

Em outro caso, no Hotel Ibis Morumbi, zona sul, a vítima foi um americano diretor de empresas. Ele disse que preenchia o cadastro de hóspedes e se "descuidou". Quando percebeu, sua maleta não estava mais a seu lado. Além do computador portátil, o criminoso levou certidões dos filhos, passaportes e dinheiro. Segundo a vítima, não havia motivo para desconfiar de ninguém.

Aparência. É exatamente essa a tática dos bandidos. "Eles estão sempre bem vestidos. Às vezes usam uma mulher para distrair seguranças", explica o delegado assistente Diogo Zamut Junior, do 57.º Distrito Policial, no Alto da Mooca, zona leste, que tem acompanhado as investigações. Em 2 de setembro, quando desmantelou parte de uma quadrilha, todos usavam jaquetas de couro. A mulher, loira e elegante, vestia um sobretudo.

Foram presos o peruano Rafael Gustavo Morales e o venezuelano Richard Gonzales Costa. Eles estavam acompanhados pelos brasileiros Michel Rojas Bayon e Renata Araújo.

O grupo foi flagrado na tentativa de assaltar um executivo cearense quando saía do Hotel Mercure, em Pinheiros, zona sul. A vítima conseguiu atrair os criminosos para um posto da Polícia Militar. "Rezei e pensei na família", disse o executivo, que não quer mais se hospedar em hotel.

Reconhecimento. No 57.º DP, o bando foi reconhecido por representantes de três hotéis. Um deles, do Holiday Inn Parque Anhembi, teve certeza de que os quatro foram os autores de um furto de malas no hall do hotel, em junho. O delegado Zamut Junior credita um outro furto ao mesmo bando.

O crime aconteceu no saguão do Matsubara Hotel, no Paraíso, zona sul, em 23 de agosto. A vítima foi um economista japonês que fazia o check-in. Na maleta, havia notebook, cartões internacionais e US$ 700. "Outro dono de hotel também nos procurou e apuramos que, possivelmente, uma amiga de Renata, que foi presa, está envolvida no crime, mas não posso adiantar muito mais", disse Zamut Junior.

A Delegacia de Turismo (Deatur) mantém um programa para coibir essas ações. A Ronda Hoteleira, segundo o delegado titular Carlos Alberto Mezher, é formada por três equipes de policiais civis que orientam funcionários de todas as categorias de hotéis. "É um crime sazonal. Acontece por descuido nos saguões, restaurantes, no café da manhã", alerta. "É importante dizer que, depois de agirem em um hotel, os ladrões vão para outros."

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