Rafael Arbex/ESTADÃO
Rafael Arbex/ESTADÃO

Polícia investiga participação do PCC em chacina na Pavilhão 9

Ordem de execução na sede da torcida do Corinthians pode ter partido de presídio e seria motivada por disputa por ponto de drogas

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

21 Abril 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A Polícia Civil investiga se há participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) na chacina que terminou com oito mortos na sede da Pavilhão 9, torcida organizada do Corinthians, no sábado, 18. Uma das suspeitas é de que a ordem para execução pode ter partido de dentro de um presídio. A principal tese dos investigadores é de que uma das vítimas estaria envolvida em confrontos por pontos de venda de drogas. Os policiais também apuram se o crime tem relação com um duplo homicídio ocorrido em Osasco neste ano. 

Questionado se a facção criminosa estaria por trás da chacina, o delegado Luiz Fernando Lopes Teixeira, titular da 3.ª Delegacia de Chacinas do Departamento de Homicídio e de Proteção à Pessoa (DHPP), respondeu: “Não podemos confirmar ainda, temos equipes na rua para verificar a veracidade das informações”.


A disputa que motivou a chacina estaria ligada ao tráfico de drogas na região da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na zona oeste da cidade, perto da sede da torcida organizada - que fica em um espaço sob a Ponte dos Remédios. Além disso, há um mês, uma das vítimas da chacina na Pavilhão 9 teria se envolvido no assassinato de dois homens em Osasco, perto da divisa com São Paulo. “Nós temos essa informação, mas está sendo checada”, afirmou o delegado Teixeira.

Demonstrando cautela ao longo da entrevista nesta segunda-feira, 20, o delegado não quis dizer quem era o alvo dos criminosos. “Normalmente, apenas uma das vítimas é o alvo, mas quem está junto acaba morrendo também”, disse o policial.

Pelo menos três homens participaram da chacina. Eles usaram pistolas de calibre 9 milímetros. Quatro pessoas sobreviveram à ação dos assassinos e devem ajudar a polícia a fazer o retrato falado dos bandidos. Os policiais não descartam a possibilidade de outros homens estarem envolvidos no crime.

Suspeitos. A aposta de que a chacina está ligada ao tráfico de drogas foi reforçada depois que a polícia conseguiu identificar os apelidos de dois suspeitos de terem participado da chacina. De acordo com o delegado, o próximo passo dos investigadores é obter o nome completo dos possíveis assassinos. “As equipes estão na rua para ver se comprovam a participação dos dois”, afirmou o delegado.

Os policiais chegaram até a dupla por meio de escutas telefônicas e relatos de testemunhas, que afirmaram terem visto dois bandidos de pele clara e “não muito altos”. Moradores da região da Ceagesp, onde supostamente estaria um dos pontos, também foram procurados. 

Os agentes do DHPP já sabem que dois dos oito homens assassinados na quadra da Pavilhão 9 haviam sido presos anteriormente sob a acusação de tráfico de drogas: Ricardo Prado, de 34 anos, e André de Oliveira, de 29. “Por enquanto, a linha mais forte é uma disputa por pontos de vendas de drogas”, disse o delegado Teixeira. “Se é uma disputa de um ponto (de droga) ou mais, não sabemos.”

Briga. Teixeira voltou a descartar a hipótese de briga entre torcidas organizadas como motivo para a chacina e também afirmou não haver indícios de envolvimento de policiais na ocorrência.

Entre as vítimas do crime está Fábio Neves Domingos, de 34 anos, ex-presidente da Pavilhão 9. Domingos foi um dos 11 torcedores corintianos detidos em 2013 em Oruro, na Bolívia, depois que um sinalizador disparado pela torcida alvinegra matou o jovem Kevin Espada, de 14 anos, torcedor do San José, contra quem o Corinthians jogava pela Taça Libertadores.

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