Polícia investiga milícia e grupo de extermínio

As investigações sobre o assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli indicam crime encomendado por integrantes de grupos de extermínio e de milicianos que atuam em São Gonçalo. Titular da 4.ª Vara Criminal do município, a magistrada, de 47 anos, ganhou notoriedade pelas condenações rigorosas.

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2011 | 00h00

Ontem, ao chegar à Delegacia de Homicídios, o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, desembargador Nelson Calandra, deixou escapar que a polícia estaria trabalhando com a possibilidade de um grupo de envolvidos no assassinato. "Dos 12 que praticaram o atentado que vitimou a nossa colega, muitos devem ter condenações anteriores, que ficam transitando em quatro instâncias e só são cumpridas quando o Supremo Tribunal Federal determina", relatou. Calandra reuniu-se com a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, e com o diretor do Departamento de Homicídios, Felipe Ettore.

Martha, que acompanha pessoalmente o caso, não deu detalhes sobre as investigações. Contrariada, a delegada disse que "o silêncio neste momento é importante". Até a tarde de ontem, 18 depoimentos de parentes e vizinhos da vítima haviam sido tomados. O vigia da guarita de acesso à rua da juíza confirmou ter visto dois homens em uma moto, que interceptaram o carro da magistrada.

Disque-Denúncia. Zeca Borges, diretor do Disque-Denúncia, disse que o serviço já recebeu mais de 50 informações sobre possíveis suspeitos. Segundo ele, desde 2002 até o dia da morte da magistrada, o Disque-Denúncia havia recebido 37 informações sobre ameaças contra Patrícia.

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