Polícia invade, reféns são levadas e seqüestrador é preso

Eloá e Nayara foram tiradas do local e pelo menos uma delas teria ferimentos; Lindemberg é preso

Da Redação, estadao.com.br

17 de outubro de 2008 | 18h08

Policiais do Gate invadiram o apartamento onde Lindemberg Alves, de 22 anos, mantinha Eloá, de 15, refém desde às 13h30 de segunda-feira. A invasão aconteceu às 18h08 desta sexta. Lindemberg foi preso e levado por um carro da Polícia Militar ao 6.º Distrito Policial, na Vila Marrey. Eloá, baleada na cabeça e na virilha, está em estado grave. Nayara foi baleada no rosto e não corre risco de morte. Ainda não há informações sobre quem teria feito os disparos. As duas foram levadas à Santa Casa de Misericórdia de Santo André. Houve um forte barulho de explosão quando a polícia invadiu o apartamento.   Veja também: Pai de Nayara diz que foi ‘expulso’ pela PM de escola PMs entram em apartamento vizinho onde garotas são reféns Vizinhos também se tornaram reféns de seqüestro no ABC Amiga volta ao apartamento para negociar fim de seqüestro Em 2 anos, houve ao menos 3 seqüestros por relacionamento Jovem diz que vai matar ex-namorada se polícia invadir o local      Lindemberg foi preso e levado para o 6º Distrito Policial da cidade. Ele resistiu aos policiais e apanhou.   Três disparos foram ouvidos no local. Às 18h17 Eloá foi levada do local por uma ambulância. Às 18h18, Nayara foi levada por um carro do SAMU. Os policiais do Gate invadiram o apartamento pela porta do apartamento e por uma janela.    Ainda não se sabe se os tiros que atingiram as meninas partiram de sua arma. Tudo indica que sim.   Na manhã desta sexta, a polícia usou o irmão de Eloá para negociar o fim do seqüestro. Douglas, de 14 anos, foi o negociador para a libertação dos reféns. As negociações estavam travadas desde a o fim da manhã de quinta, quando Nayara, amiga de Eloá que havia sido solta na noite de terça, voltou ao apartamento para convencer Lindemberg a soltar a amiga, mas acabou sendo feita refém de novo.   A volta de Nayara ao apartamento teria sido uma exigência do seqüestrador. E a polícia permitiu o retorno da adolescente. "Foi um erro grosseiríssimo", afirma o coronel da reserva José Vicente da Silva, diretor do Instituto Pró-Polícia e ex-secretário Nacional de Segurança Pública. "Colocar mais um inocente em risco é a última coisa que poderia ser feita."   Ele não foi o único a condenar a concessão feita pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar. "Não entendi como permitiram a volta de uma refém menor de idade ao ambiente de risco", diz o capitão da reserva Rodrigo Pimentel, ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da PM do Rio e co-autor do livro Elite da Tropa - que deu origem ao filme Tropa de Elite. "Foi uma decisão pouco responsável."   Policiais que já atuaram no Gate e hoje ocupam outros postos também criticaram a maneira como o processo vem sendo conduzido. "No processo de negociação é preciso haver alguns limites", defende um deles. "É inadmissível colocar a vida de alguém em risco. E, pior ainda, menor de idade." Como o comando da PM não autorizou que ninguém se manifestasse antes do fim do caso, eles pediram para não ter seus nomes revelados.   Gate   Inspirado nas polícias especializadas norte-americanas, o Gate foi criado em 1988. É uma tropa da PM acionada em ocorrências que exigem treinamento específico e equipamentos especiais. Seus policiais são chamados para atuar em ações de combate ao terrorismo, em operações com explosivos, rebeliões em presídios e ações com criminosos armados em locais de difícil acesso ou com reféns.   Comandados pelo capitão Adriano Giovaninni, os cerca de 70 integrantes da tropa têm sua base no bairro de Vila Maria, na zona norte da capital. São requisitados para casos complexos. Operacionalmente, dividem-se em três equipes. Em casos que levam dias, como o de Santo André, um grupo dá lugar a outro.   Caminho   É árduo o caminho para quem quer ingressar na "tropa de elite" paulista. Cerca de 200 policiais militares, todos os anos, candidatam-se, voluntariamente. Neste ano, apenas sete conseguiram passar por todas as fases. Os dois dias de testes de aptidão física - natação, corrida, séries de abdominais - já costumam eliminar 90% dos concorrentes. Os que passam dessa fase fazem um rígido curso de 35 dias, com simulações de situações limite com explosivos, reféns e outros obstáculos. Só então passam a fazer parte do efetivo da tropa.   Mas o aprendizado não termina aí. Cursos específicos são constantes. Alguns especializam-se em negociação - no caso de Santo André, quatro negociadores se revezavam -, outros em desarmar explosivos e há os atiradores de elite. Intercâmbios com polícias do exterior são constantes. Pela "cartilha" do Gate, a invasão em caso de cárcere privado só ocorre em situações extremas. "Desde o começo da negociação, um policial faz o exame técnico do ambiente", afirma o coronel José Vicente. Os policiais só entrarão em três situações: seqüestrador distraído (ou dormindo), acesso facilitado ou risco iminente para a vítima.   (Com José Dacauaziliquá, do Jornal da Tarde)   Autualizada às 20h50

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.