Polícia indiciará dez por formação de quadrilha

Treze pessoas continuavam detidas ontem; quatro foram levadas ao Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém

Bárbara Ferreira Santos, Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2013 | 02h08

De acordo com a Polícia Civil, dez dos 13 detidos por causa do protesto contra o aumento da tarifa de ônibus na noite de anteontem serão indiciados por danos ao patrimônio e dois crimes inafiançáveis - formação de quadrilha e incêndio. Entre os detidos estão dois professores da rede pública estadual de São Paulo, dois jornalistas e uma mulher.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, até as 20h de ontem, oito deles estavam na carceragem do 2.º DP (Bom Retiro), quatro haviam sido levados ao Centro de Detenção Provisória Belém 2 e, Stephanie Fenselau, de 25 anos, única mulher do grupo, foi levada para o 89.° DP.

Um dos detidos, o jornalista Raphael Sanz Casseb, de 26 anos, acusado por dano ao patrimônio, teve fiança estabelecida em R$ 20 mil. O pagamento ainda não havia sido feito até a noite de ontem.

No 1.º DP (Sé), o artista Daniel Silva Pereira, de 20 anos, e o editor Edson Duda da Silva, de 26, foram detidos em flagrante acusados de pichar o Tribunal de Justiça do Estado e por lesão corporal a policiais militares.

Segundo o delegado Severino Pereira de Vasconcelos, do 78.º DP, além dos detidos há ainda uma outra pessoa que já foi qualificada como participante dos crimes durante a manifestação e será averiguada. "Todos os identificados serão investigados. As pessoas envolvidas nos crimes dos primeiros protestos e os que ainda virão serão responsabilizadas na medida de suas condutas", afirmou.

A polícia, entretanto, precisa provar que os manifestantes presos na noite de anteontem na passeata do Movimento Passe Livre estavam reunidos com o objeto de cometer crimes para mantê-los detidos por formação de quadrilha. O entendimento é de especialistas ouvidos pelo Estado, que temem uma banalização do delito pelos agentes de segurança para coibir os movimentos sociais.

"A formação de quadrilha existe para aquelas pessoas que se organizam com a única e exclusiva intenção de cometer delito", diz o diretor do Instituto de Ciências Penais, Gustavo Henrique de Souza e Silva. "Pode ser uma estratégia que estão usando para decretar a prisão preventiva."

Para ajudar na defesa dos 13 presos, o promotor Maurício Ribeiro Lopes se comprometeu a contatar a Defensoria Pública do Estado.

Polêmica. Amigos e parentes do jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, de 27 anos, do Portal Aprendiz, que continua preso, afirma que ele estava trabalhando quando foi detido. Segundo Solange Costa Ribeiro, gestora institucional da entidade, Nogueira fazia a cobertura da manifestação quando foi detido e agredido. "Já acionamos nosso jurídico para apoiá-lo", afirmou. Em nota, a associação afirma que o jornalista foi preso "errônea e injustamente".

Segundo a mãe do jornalista, Beatriz Fátima Augusta Ribeiro, a prisão ocorreu por um mal-entendido. "Ele tentou impedir que duas garotas apanhassem dos policiais, mas foi preso. Não pertence à quadrilha nenhuma, não depredou nada nem colocou fogo. Todos os documentos que provavam que ele estava trabalhando foram apresentados, mas mesmo assim ele foi preso", afirma.

A Secretaria da Segurança Pública informou que Nogueira foi autuado em flagrante. "A convicção jurídica do delegado se baseia em depoimentos de policiais que avistaram o rapaz danificando uma viatura e uma guarita policial", afirmou.

Protesto. Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo condenou as supostas agressões de policiais militares contra jornalistas. Em nota, a associação afirmou que há uma "tentativa de obstrução do trabalho de cobertura das manifestações". "A associação considera preocupante que esta ação contrária ao trabalho da imprensa parta do Estado, e justamente da PM, mandada à rua para manter a ordem e garantir direitos."

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